1.10.07

Webcídio? (R)evolução?

E se a emergência e crescimento meteórico de Second Life, ou de outros ambientes virtuais, significasse o fim da Web, tal qual a conhecemos hoje? Um Webcídio para breve?

Rosental Alves, ciberjornalista famoso e professor na Universidade do Texas em Austin, foi um dos convidados da Universidade do Minho no 5º Congresso da SOPCOM. Rosental falou do “seu” conceito de mediacídio, afastando-se de uma perspectiva evolucionista das novas tecnologias, e contrapondo o carácter revolucionário do jornalismo na Web, só comparável à revolução de Gutenberg.
Para o ciberjornalista de origem brasileira, os novos media na Internet não significam evolução tecnológica, antes revolução e mudança radical de paradigmas comunicacionais.

Na mesma linha de pensamento (revolução versus evolução), o discurso de Rosental fez-me pensar no fenómeno Second Life não como uma curiosidade voyeurista, mas como algo mais profundo que se está a transformar numa mudança radical de paradigmas na construção de uma enorme rede.
Nem Philip Rosedale e a Linden Lab imaginariam como as coisas se poderiam passar, nem talvez imaginassem estar na eminência de abrir o código de Second Life permitindo a construção de outras grids por parte dos colossos da informática.
A tentativa de caracterizar e perceber Second Life vai-se fazendo através da comparação com realidade virtual, com videojogos e com outros ambientes sociais e colaborativos online: a ideia de realidade virtual, predominantemente tecnológica, não se ajusta à compreensão de Second Life; o afastamento do conceito de jogo parece cada vez mais claro; as diferenças em relação a ambientes sociais online 2D são também cada vez mais evidentes.
À custa do claim “your world, your imagination”, a Linden Lab está a fazer com que nove milhões e meio de curiosos construam, bit a bit, uma poderosa rede de conteúdos que se ligam entre si, recorrendo a uma representação 3D ainda incipiente, mas carregada de significados e com uma nova semântica. As propostas de “novas vidas”, de aprendizagem colectiva, de cidadania, proliferam no metaverse idealizado por Stephenson.
À natural necessidade de contabilizar acessos em Second Life, já não se ajusta o somatório de número de cliques ou de entradas numa determinada página/espaço. O tempo parece começar a vingar como a unidade de análise privilegiada. O espaço é fluído, plasmado na superfície do ecrã, onde os personagens já não “navegam” mas “voam” e “teletransportam-se” de cenário para cenário.
As “receitas” de Jacob Nielsen sobre usabilidade e ergonomia já não se aplicam. Voar na rede 3D de Second Life, tem características radicalmente diversas da navegação na Web. Nem sequer se sabe ainda o que significa usabilidade e ergonomia em Second Life. A história está por escrever.
A recém-discutida possibilidade de considerar Second Life e ambientes afins como a Web do futuro (Web 2.0, 3.0, 4.0…?), significa o surgimento da perspectiva evolucionista do fenómeno.
O grande desafio que se nos coloca, enquanto simples participantes de uma mega-rede, é descobrir que nomes vamos dar aos processos, que formas vamos descobrir para optimizar a deambulação pelo mundo do novo conhecimento. Se os media tradicionais, o tecido empresarial e os utilizadores comuns devem perceber as particularidades dos novos media, leia-se Web, também cada um deles deve começar a pensar seriamente em imaginar-se a produzir conteúdos para novos ambientes tridimensionais.
Como Rosental, prefiro falar de revolução! Uma espécie de Webcídio, o momento em que a Web (como a conhecemos) morre! Paz à sua alma!

2 comentários:

D&A disse...

Já agora, gostaria que o senhor comentasse um artigo que diz que o second life tem estado áquem das expectativas... afinal de contas, é raro estarem mais de 45000 pessoas on-line, o que é manifestamente pouco. Até pode ter 9 milhões, mas as estatísticas não dizem quantos desses 9 milhoes só se registaram para experimentar...

Ass. um habitante do second life

Paulo Frias disse...

Caro d&a,
Os tais 9 milhões é que estão além das expectativas! Nem a Linden Lab imaginava tal número (há um ano estavam registados 1 milhão e meio de pessoas!!!). Normalmente estão online, no máximo, 50.000 residentes. Mas esses 50.000, ou 45.000 se quiser, não são sempre os mesmos. Ou seja: Second Life é um ambiente por onde passa muita gente, mas como tem como base uma representação gráfica 3D, podemos ficar facilmente com a sensação que está vazio (o que não acontece na Web porque não "vemos" os avatares)! Existem vários artigos que defendem ideias opostas, mas creio que essa "contabilidade" ainda está por fazer...
De qualquer forma, a Linden Lab disponibiliza mensalmente as estatísticas sobre o número de registos e de residentes online. Não há truques nem segredos, só os números. As conclusões... cada um é livre de tirar as suas e de dar opiniões, certo?