19.8.07

Um monte de pixeis ou o "espírito do não-lugar"

Lendo no Público de hoje um artigo que referia o conceito de genius loci (ou o "espírito do lugar") na história da Arquitectura, vieram-me à memória os estiradores e as deliciosas palestras de Fernando Távora na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto. A esse propósito, relembro o repisado discurso do movimento moderno, percebendo Frank Lloyd Wright, Aalto, Távora ou Siza.
O exigido e exigente entendimento do "espírito do lugar", constituía, na linguagem dos arquitectos modernos, o desenvolvimento natural do projecto que o "local suplicava".
Em Second Life, páro algumas vezes para pensar neste assunto!
Quando olho para uma ilha "virgem", coloco a mesma questão, procuro o mesmo ponto de partida, analisando a morfologia do terreno expectante, e tento vislumbrar "espíritos". Mas aí, em Second Life, posso, em segundos, alterar o "monte de pixeis" que me aguardam, transformando uma ilha verdejante e acidentada, numa outra plana e inóspita!
É assim como, num dia, pedir a Souto Moura um projecto para um estádio (en)cravado numa pedreira granítica, e na semana seguinte dizer-lhe que afinal o projecto seria para um estádio numa planície alentejana! Não se faz!
Com esse monte de pixeis à frente, nada mais me resta senão tentar entender o "espírito de um não-lugar"! Esse é o desafio do metaverse...

2 comentários:

Miguel Krippahl disse...

Penso que o lugar no SL é igualmente um lugar, nesse sentido que tu mencionas.

Ou seja, é percepcionado pelos visitantes/utilizadores como sendo um lugar, não uma ideia abstracta.

Poderemos eventualmente argumentar que é um lugar pobre, assim como a arquitectura do SL é pobre.

Pobre o lugar porque não possui densidade, história, referências, variedade.

Pobre a arquitectura porque não possui som, cheiro, luz.

No entanto, é tanto lugar e arquitectura como o são os cenários de um Doom, ou Half Life. Serve para o que foi criado: um cenário onde decorre a acção, o teatro das nossas (segundas) vidas.

Edgard disse...

Mas é exactamente aí onde reside o espaço infinito de criatividade no "metaverse".

Ao ser-se interpelado por um Souto Moura, quando do pedido do projecto do estádio, sobre o tipo de terreno em que este se assentará, poder-se-ia responder simplesmente: - "No que tu quiseres!"

GavezDois Decosta