8.8.07

Sobre Género, Moda, BDSM, Gorean RPG



O discurso sobre o comportamento de géneros em Second Life é curioso, embora, uma vez mais, reflicta as normas sexistas da RL. Se tentarmos interpretar as diferenças de comportamento entre avatares masculinos e femininos, independentemente do sexo da pessoa "responsável" pelo avatar, verificamos que os padrões são importados do enquadramento cultural offline, até com alguns exageros que a "vida virtual" nos permite.
Senão vejamos alguns exemplos:
comércio de moda: um negócio predominantemente virado para a mulher, assumida como consumista por excelência. são inúmeras as lojas de roupa feminina, com estilos diferentes; a roupa para homem, quando existe, remete-se a um canto escondido (para encontrar roupa de homem diferente de fatos, smokings e casual déjá vu, tive que ir a ilhas gay!)
revistas de moda: são inúmeras, muitas delas associadas a marcas existentes na RL. algumas dedicam números especiais a Second Life, invariavelmente tentando cativar os públicos feminino e masculino (2 em 1 :) mas seguindo sempre os estereótipos da beleza sonhada na real life.
fetiches: o próspero negócio do sexo em Second Life, permite-se construir imaginários impossíveis na RL (em Second Life "fazemos o que não queremos ou não podemos fazer na real life" - adaptação livre do discurso de Sherry Turkle acerca dos MUD's). aí residem todo o tipo de fetiches, dos quais mais se destaca o BDSM (em caves graníticas de clubes ou locais de flirt). uma referência à University of Submission (!) onde se aprende (ou antes, onde as "avataras" aprendem a adoptar posturas e comportamentos submissivos, mesmo na linguagem utilizada com avatares masculinos).
gorean rpg: um fenómeno! inspirados nas Crónicas de Gor, de John Norman, uma série de vinte e seis novelas que combinam filosofia, erotismo e ficção científica. são ambientes de jogo, onde as mulheres assumem o papel de escravas e os homens o de guerreiros. são mundos "fechados", com regras extremamente rígidas a cumprir. só pode fazer parte do jogo quem manifestar o seu conhecimento de todas as normas comportamentais, que enfatizam a diferença entre homens (seres guerreiros e superiores) e mulheres (seres submissos, escravos e dóceis, normalmente com a obrigatoriedade de estarem ajoelhadas ou acorrentadas). (uma visita a City of Midgaard, City of Tarnburg ou City of Cardonicus em Second Life deve ser suficiente para esclarecer quem ficou confuso com a breve descrição).

Certamente que Second Life não vive (apenas) dos exemplos referidos, mas permitam-me uma questão: como é possível analisar questões de género em Second Life quando os pressupostos são os mesmos da vida real, ou até, dadas as características do meio, altamente exacerbados?
Mais interessante e divertido seria saber quais as pessoas que estão por trás de cada um destes avatares ;) Assim, o estudo faria sentido...

6 comentários:

Anónimo disse...

Gostei muito da sua análise. Optimo blog! Tenho andado a investigar se vale a pena entrar ou não no Second Life e cada dia me convenço mais que não vale mesmo nada. É um ambiente bobo e fútil demais!Além disso eu gosto de ser quem sou, não preciso fingir ser alguém diferente. Prefiro a vida real! A internet tem também sítios bem mais interessantes do que esse!
Mafalda

Anónimo disse...

Li o comentario da Nina num dos posts anteriores. Aí faz todo o sentido a existência de Second Life....
Em termos visuais também tem cenários interessantes...claro que nem tudo é mau neste jogo virtual, no entanto os aspectos que focou neste post são muito pertinentes, fazem pleno sentido...
Mafalda

Paulo Frias disse...

Mafalda, na minha opinião em Second Life acontecem coisas demasiado importantes e enriquecedoras para que se considere "um ambiente bobo e fútil demais!".
Além disso, não está minimamente provado que quem "vive" em Second Life não gosta de ser quem é na RL!

Bombadil disse...

Eu ando pelo SL faz pouco tempo. Tinha entrado no SL há coisa de um ano e tinha ficado com a mesma sensação: "um ambiente bobo e fútil demais!"

Depois de ler o Snow Crash (aconselho!), voltei ao SL com uma perspectiva diferente e acabei por me apaixonar.

O SL não é uma fuga da RL mas uma extensão da mesma. Obviamente que se pode testar experiências que nunca teriamos na RL, mas isso fica ao critério de cada um!

Não rejeitem o SL sem experimentarem e sem lhe darem algum tempo, pois como a água tónica, tem garantidamente osogoto!

Anónimo disse...

Têm razão, Paulo e Bombadil,pensando melhor,fui de certa forma precipitada ao julgar nesses termos SL....terei de lá entrar um dia para observar melhor as coisas e tirar então conclusões mais concretas com base nas observações que fizer...
Mafalda

Summer disse...

Engraçado, Pal... tenho andado precisamente a reflectir sobre uma série de temas mais ou menos semelhantes :)

Isso levou-me a lançar para a mesa lá na minha "casa" da blogosfera alguns assuntozinhos só para ver como é ke as pessoas pegavam neles.

E a conclusão foi a esperada... Second Life sim, mas como todos os valores e noções comportamentais e sociais de Real Life.

Ou seja... dá-se a um humano a possibilidade de se reinventar e ao mundo ke o rodeia e tudo o ke ele faz é transportar lá pra dentro precisamente as mesmas bases ke nos regem offl-line.

Será ke não somos MESMO capazes de mais ? Caramba, eu RECUSO-ME a acreditar nisso !!!