29.8.07

E eu, por acaso, sou verde?


O BES abriu a sua sede virtual em Second Life! Novas linhas de negócio? Novos produtos virtuais? As respostas em excertos das declarações de um responsável do BES ao Expresso:

"O BES enquanto instituição bancária inovadora e atenta às tendências do consumidor, não podia deixar de aproveitar a oportunidade de ser o primeiro banco português no mundo virtual, entrando em contacto com mais de 40.000 portugueses registados. A sua presença no mundo virtual passará, não só pela existência de um balcão, réplica dos balcões reais do BES, mas também pela criação de um espaço BES, dedicado ao lazer e à cultura. Além da comunicação dos seus produtos, o BES pretende divulgar os seus valores." A entrada no SL, adiantam, “representa essencialmente a introdução de um novo meio de interacção com os nossos clientes.” O objectivo é ter “uma presença que, sendo pioneira, reforça o posicionamento de marca inovadora, abrangente, próxima e jovem, atenta às novas tendências de comportamento do consumidor.”

Depois da minha visita à sede do BES em Second Life (em Cascais?), pensei no que o mesmo responsável não terá dito ao Expresso:

- Se formos o primeiro banco português com uma sede em Second Life, o retorno do investimento é de certeza garantido pelas notícias que vão sair nos jornais e televisões!
- Se dizem que existem 40.000 portugueses em Second Life, fazemos uns balcões com o Ronaldo e alguém há-de aparecer por lá (nem temos que ter lá funcionários em permanência)!
- Não fazemos a mais pequena ideia de como funciona isso do Second Life, nem se são jovens ou não que maioritariamente o frequentam, mas se está na moda... nós estamos lá!

Por isso, se lhe perguntarem se acham que as empresas portuguesas já perceberam o que é o Second Life, respondam: "Eu sou verde? Estou cheio de cartazes? Vá lá! Vá ao BES!"

5 comentários:

Nyne Wolfe disse...

Realmente não percebi a tua dor... o porque do teu ponto de interrogação no Cascais?
Tens uma imaginação mt fertil, mas ousar colocar frases na boca de responsáveis BES, é algo suicida não? Mas tu deves saber do que falas, assim como assim, ate és responsavel pela Unv do Porto no Sl, não é?... imagino que terás dito tu ao Expresso...Quanto aos cartazes e as empresas portuguesas no Sl... seria um debate interessante.. aceitas?

Gwyneth Llewelyn disse...

Que o retorno do investimento do BES no Second Life seja garantido pelo "Media Splash", isso é garantido — provavelmente até logo no primeiro dia! Afinal de contas, a esmagadora maioria das empresas está no SL apenas para isso.

No caso do BES, enfim, sem querer estar a parecer contradizer-te, houve um esforço notável para dotar o ambiente todo circundante de um espaço para uma comunidade de utilizadores portugueses. Penso que, pelo que me apercebi, já vai em quase 9 sims, ou perto disso (corrijam-me se estiver enganada). E o que há nesses 9 sims? Principalmente conteúdo de qualidade acima da média do SL para as pessoas se entreterem das formas mais diversas — e com presença "humana" (está por lá sempre gente — talvez não 24 horas sobre 24 horas, mas muitas mesmo assim). Isto inclui passeios divertidos, a excelente actividade submarina, a visita ao giríssimo museu do Farol da Guia, as regatas, os desportos aquáticos, e as festas que por lá se vão organizando. É certo que não é para todos, e que consoante os gostos, podem achar isto divertido ou não (eu, por exemplo, sou parcial às brincadeiras subaquáticas, mas as regatas não me dizem nada...). Mas para muitos que continuam a queixar-se de que "não há nada a fazer no SL" ou que "não há portugueses em lado nenhum", pelo menos o espaço do BES tem qualquer coisa. E os tais 9 sims, ou perto disso, é muita "qualquer coisa". Boa ou má, isso já são questões estéticas e o gosto de cada um. No entanto é indiscutível que é do melhorzito que existe no continente Nautilus...

O teu comentário aos cartazes do Cristiano Ronaldo servirem apenas para atrair gente (assim como a cerimónia de entrega de bolas autografadas) está... inteiramente correcta! É que o BES faz precisamente o mesmo com a imagem do Cristiano Ronaldo nos balcões de pedra e cal :) E por exactamente as mesmas razões — por isso é que adquriram os direitos sobre a imagem do Cristiano Ronaldo com o único objectivo de dizer: "se existem dez milhões e tal de portugueses que conhecem o Cristiano Ronaldo, pode ser que apareçam nos nossos balcões". Se têm sucesso ou não, não me cabe a mim dizer, mas suspeito que os directores de marketing do BES terão boas razões para colocar cartazes do Cristiano Ronaldo por todo o lado... e, obviamente, também no SL.

Não sei a que horas estiveste nos balcões virtuais do BES... mas se forem como o reais, o horário de atendimento deles deve ser muito apertado :) Pelo que me explicaram (sim, eu perguntei!), são ainda poucos que estão aptos a dar esse tipo de atendimento. Mas serão mais com o tempo...

Finalmente, desmistifiquemos a questão do BES "não fazer a mais pequena ideia de como funciona o SL". Não posso revelar mais, mas fica aqui no ar a ideia de que pessoas ao mais alto nível do grupo estão no SL desde... 2005. Inícios de 2005. Descansa, eles sabem muito bem o que é o SL e para que serve :) Talvez melhor do que a própria Linden Lab! E não posso dizer mais sob pena de violar, de certa forma, a confiança que depositaram em mim — mas posso pelo menos afirmar que vi com os meus próprios olhinhos (reais) quem esteve do BES no SL, numa altura em que se calhar existiam, no máximo, uns 50 portugueses no SL... pelo menos "activos" não seriam mais do que isso!

Isso evidentemente que não implica que toda a gente no Grupo BES tenha sido informada ao mais ínfimo detalhe de todas as considerações e pormenores relativos ao que se pode fazer com o SL. Mesmo que tivessem vontade de o fazer (e se calhar até a têm...), nem há estrutura para dar tanto workshop! Agora podes é comparar a diferença entre a presença do BES e a maioria das outras — o BES tem uns balcõezitos e uns cartazes, mas rodeado de um vasto espaço que é fundamentalmente utilizado por uma comunidade portuguesa no SL. Aliás, muitos se calhar nem suspeitam que aquilo foi tudo comprado, financiado, e projectado pelo BES. Mas não faz mal. Estas coisas "tendem a saber-se". O resto, bem, são como o Chris Anderson da Wired, que se lamenta que ninguém visita a sede virtual da Wired... que é totalmente "virada para o seu próprio umbigo" e não tem o menor interesse. Nem nunca lá fui, e costumo saltitar por todos esses sítios...

E não, não tenho rigorosamente nada a ver com o projecto do BES, mas não me importo nada de dizer que é um exemplo (devido à integração com a comunidade do SL) que devia ser seguido por muitos mais (mas lamentavelmente também tenho perfeita consciência da falta de abertura de espírito por parte das entidades que queiram adoptar este modelo de espaços dedicados ao lazer e à cultura para promoverem a sua imagem corporativa, de forma muito indirecta). E não estou a discutir "pormenores" do tipo "se fosse o X a fazer, ficava melhor" — mas sim o conceito. Basta dizer que os "outros bancos" (não portugueses) no SL não têm 9 sims para a comunidade se divertir. O BES pode ser verde, mas pelo menos fez algo diferente.

Ah, e apesar de ser cliente deles na vida real, confesso que nem é dos bancos de que gosto :) Tenho uma conta empresarial em que não lhe posso mexer há mais de um mês porque "falta sempre mais um papel assinado" até nos fazerem chegar o cartão MB. Um mês! A maior parte dos bancos leva um ou dois dias. E eu com contas por pagar. Tudo culpa do BES :) Mas faço obviamente a distinção — o facto dos funcionários do BES sempre me terem tratado muito mal, e ter uma má impressão da forma como funcionam (e perdi todo o dinheiro que tinha em fundos de investimento deles durante a recessão de 2000-2003), não quer dizer que não possa ter uma visão "destacada" e observe o que eles estão a fazer no Second Life, e concordar que a aposta deles está correcta...

Também não estarias à espera de que eles colocassem lá os sims todos do bolso deles e nem sequer pusessem um logotipo nem fizessem um press release, pois não?...

Paulo Frias disse...

Caro(a?) Nyne Wolfe,
De facto a imagina�o � f�rtil, e as palavras que coloquei na boca de um respons�vel do BES s�o da minha inteira responsabilidade, como se percebe, e valem o que valem... Resultam apenas de uma visita ao local, como tamb�m se percebe, e n�o de uma conversa com nenhum dos respons�veis. Quanto a debates sobre o tema referido ou outros quaisquer, claro que estarei sempre dispon�vel.
PS: a reportagem do Expresso sobre a UP est� dispon�vel, quem quiser pensar outra coisa diferente, tem toda a legitimidade para o fazer...

Cara amiga Gwyneth,
Obrigado pelas rectifica�es. Quanto ao marketing em SL, estamos conversados, certo? Existem in�meros artigos sobre o assunto com conclus�es muito contradit�rias... O agradecimento refere-se � informa�o sobre o enorme investimento do BES em SL, do qual n�o me apercebi numa primeira an�lise (tamb�m � certo que n�o disponho de todos os dados como a minha amiga). Algumas coisas que disseste s�o novidades, como o facto de pessoas ligadas ao BES estarem j� em SL em 2005, quando eu ainda nem tinha ouvido falar nisso...;) Em conclus�o: se o investimento do BES nos tais 9 sims promove actividades culturais e inovadoras de relevo, isso n�o � claro para o comum visitante; o conceito subjacente � presen�a institucional dos balc�es e sede do BES em SL � na minha opini�o, paup�rrima (pela funcionalidade, pela falta de imagina�o, pela colagem �s campanhas na RL,...); a este prop�sito, j� tinha feito noutros tempos alguns coment�rios na mesma linha, por exemplo em rela�o � campanha de Ant�nio Costa...; confesso a minha incapacidade de percep�o do fen�meno BES na sua totalidade, mas � um tema que gostarei certamente de conhecer em pormenor. Tens que me apresentar os ide�logos do projecto, amiga ;)

Anónimo disse...

FODASSE . . .

Anónimo disse...

ler todo o blog, muito bom