19.11.07

Aulas

Depois de ler os interessantes posts e respectivas reflexões sobre ensino em Second Life nos blogs a caixa e education in virtual/real worlds, achei oportunos um esclarecimento e mais algumas ideias soltas sobre a 'sala de aula' em SL. Cá vão:

Esclarecimento:

Enquanto docente, as aulas que tenho tido oportunidade de partilhar em Second Life são terrivelmente poucas :( Por circunstâncias várias, o meu enorme interesse na exploração das potencialidades educativas nesse ambiente tem ficado muito aquém do que eu desejaria. Nunca partilhei a 'sala de aula' virtual com turmas muito numerosas, nunca tive oportunidade de garantir uma continuidade de relação com os alunos por mais do que um semestre...
No entanto, e acompanhando este tema com alguma atenção (nomeadamente através da mailing list de educadores em Second Life), tenho sentido a confirmação de muitas das expectativas que inicialmente formulei quando comecei as minhas primeiras aulas em SL, e descoberto muitas outras nas quais nem tinha sequer pensado...

Ideias soltas:

1. 'flow effect'
a 'sala de aula' em Second Life tem que ser radicalmente diferente da real: primeiro porque nem sequer tem que ser 'sala' (paredes, mesas, cadeiras, quadro,...); segundo porque a 'aula' é conceptualmente distinta (participação vs. exposição) e a comunicação flui, não se regula.

2. 'blur effect'
ser aluno e o professor numa 'aula' em Second Life tem que ser uma coisa diferente: um ambiente colaborativo potencia a transferência mútua de conhecimento, e a posição hierárquica (pelo menos essa) tende a diluir-se; as relações passam a ser mais informais, e a aprendizagem do grupo passa pela construção conjunta desse conhecimento.

3. 'ubiquity effect'
os paradigmas que regulam a presença 'em aula' na realidade têm que ser diferentes em Second Life: os avatares dos alunos podem aparentemente partilhar um mesmo espaço virtual, mas a possibilidade de disfrutarem de meios de comunicação síncronos e assíncronos não permite que se 'ambicione' formatar o diálogo da mesma forma; alunos e professores ubíquos, dividem-se numa sessão de duas horas por entre conversas privadas, discussões de grupos de interesses comuns, e... os conteúdos da dita 'aula'.

Dispersão?, perguntarão alguns; Impossibilidade de transmissão de conteúdos teóricos?, argumentarão outros. Questões pertinentes cujas respostas vou tentando encontrar em cada dia que passa. Apenas uma certeza: a necessidade de reinvenção da forma de partilhar informação, de comunicar e de construir conhecimento com os 'parceiros alunos'!

2 comentários:

Cleo Bekkers disse...

PaulUP, obrigada por este teu post!
Fizeste a síntese do que eu ando a pregar! :-)
Quer dizer... ainda mencionas a "transmissão de conhecimentos" como uma questão pertinente... o que não concordo de todo, mas percebo porque o escreveste.
Na área de investigação em Didáctica... o conceito de "transmissão de conhecimentos" é uma luta muito velha... é onde reside o busílis para uma mudança de concepções epistemológicas sobre o ensino e sobre a aprendizagem (a "aula" como tu chamaste).
Do que tenho investigado e conseguido alcançar, as "aulas" em SL podem contribuir para mudar essa posição face ao ensino.
Essa é a grande aposta!
Vamos a ver se não a estragam! :-)

Paulo Frias disse...

Obgd Cleo pelo teu comentário.
Concordo plenamente com o reparo, a referência à 'transmissão de conhecimentos' não está muito bem equacionada, porque nem é pertinente ;)
Algo sairá desta experimentação em SL, for sure :)