29.11.07

Greenaway e a morte do Cinema

Conta o ABC que "Peter Greenaway assegurou em Bilbau que o cinema convencional morreu."!

Segundo a jornalista M. Luisa Franco, "(...) Greenaway considera que o cinema convencional, que narra histórias, às quais chama 'contos para adultos', está morto e pertence ao passado, porque o que interessa às novas gerações é outro tipo de comunicação audiovisual, que lhes chega via internet ou através do telemóvel."

Greenaway esteve em Bilbau para apresentar a sua criação audiovisual 'Tulse Luper: a life in suitcases'.

Sempre polémico, "o cineasta britânico, que acaba de estrear no Festival de Veneza o filme 'Nightwaching' (sobre a obra de Rembrandt), afirma que as pessoas já não vão ao cinema porque, na sua opinião, 'é absurdo que nos sentemos numa sala às escuras com desconhecidos, olhando todos para um sítio fixo'. (Greenaway) acredita que o futuro está nos monitores dos telemóveis, nos quais pode ver-se um filme convencional, ou na internet, através de ambientes como Second Life. Afirmou ainda que pretende fazer um filme em Second Life, que crê que interessaria aos cidadãos, porque os espectadores poderiam participar, algo que é possível graças às novas tecnologias."

A abertura da visão de Greenaway, realizador e pintor, sobre o cinema, reflecte as suas permanentes reflexões sobre a transversalidade das diversas formas de expressão artística.
A referência à tecnologia e às novas formas de consumir o audiovisual, deixa pistas importantes para pensar no papel dos mundos virtuais nessa mudança de paradigmas.

E, certamente, Greenaway já se apercebeu como 'manobra' a câmara em SL ;)

2 comentários:

Rogério Santos Pereira disse...

Caro Paulo,
Não é de hoje que ensaio postar um comentário para ti. Eis que, enfim, acho coragem e tempo para escrever.
Sou brasileiro e estudo o SL em minha pesquisa de mestrado. Acho que temos muito a trocar.

As redes convergem novas linguagens e novas formas de expressão. Talvez o SL (e sua relação cada vez mais íntima com o cinema apontada por Greenaway)seja um dos melhores exemplos para pensar as possibilidades que a sociedade, os governos, mercados, artes, educação e as próprias pessoas têm a desenvolver diante das tecnologias. Isso é grande desafio. Vivenciar esse processo é adentrar por um contexto onde os comportamentos, e o estar no mundo, passam por grandes transformações.

Em tempo: uma entrevista com Peter Greenaway foi publicada na revista brasileira Bravo! de novembro. É possível, inclusive, assistir a trechos em vídeo. Segue o link
http://bravonline.abril.com.br/indices/
cinema/cinemamateria_253448.shtml?page=1

Saudações, Rogério
www.ilhasdesconhecidas.blogspot.com

Paulo Frias disse...

Olá Rogério,

Muito obrigado pelo seu comentário e links.
Tive já oportunidade de ver a interessante entrevista de Greenaway e vou postar ;)

Sem dúvida que estamos perante novas metalinguagens, novos 'textos', que podem fazer do cinema mais do que 'ilustrações' referidas por Greenaway.

SL pode vir a ser uma boa plataforma de ensaio...