Como deve ser um Campus em Second Life?
Uma vez mais Andrea Foster, do The Chronicle of Higher Education, fala de Peter J. Ludlow, um professor de Filosofia na Universidade de Toronto. Desta vez a respeito dos Campus Universitários em Second Life. E lançando uma questão muito polémica!
Universidades de todo o Mundo marcam presença em Second Life para divulgar os seus programas, organizar aulas e conferências online, e realizar investigação. Pelo menos 170 Campus foram criados em SL, como refere um recente artigo do International Journal of Social Sciences.
Mas, segundo o professor Ludlow, aos Campus virtuais falta imaginação, uma vez que replicam as instituições reais. "É isto que querem quando podem 'começar de novo', e não estão limitados pelas leis da Física, e podem construir tudo aquilo que quiserem para melhorar a aprendizagem?", pergunta Ludlow. "Se pudesse criar o ambiente educativo ideal, iria eu duplicar o Edifício 7 e ir trabalhar? As Universidade devem promover a originalidade. Por exemplo, devem criar edifícios digitais arquitectonicamente invulgares."
Já Jeremy Kemp, da Universidade de San José, expressou uma opinião exactamente oposta na mailling list de educadores em Second Life:
"É um cliché nos dias de hoje torcer o nariz aos edifícios realistas. 'Porquê a preocupação em entrar em Second Life se vamos reconstruir o nosso Campus?". Este é um mau argumento por várias razões:
1. Os estudantes recém-chegados a SL necessitam de ambientes familiares. Quando os nossos estudantes entram em SL, vão invariavelmente ao nosso Campus. A última coisa que queria era induzir desiquilíbrios cognitivos...
2. O Campus em SL como uma actividade promocional: As estruturas 'sem gravidade' com poucas semelhanças com o Campus não criam bons registos fotográficos. E todos sabemos que muita da nossa actividade é promocional.
3. Campus em SL como um espaço polivalente: constatei que os avatares se movem segundo estádios de desenvolvimento - andar, voar e depois controlar a câmara. Claro que Ludlow não está no nível 'andar', mas a maioria dos meus estudantes estão. Usam as portas, respeitam as paredes e até usam as escadas (o que até me 'dá a volta ao estômago').
4. Campus em SL como estatuária: penso que os edifícios realistas são o equivalente, em SL, às estátuas dos 'College Founders' que se podem encontrar em qualquer Campus real. As estruturas reais podem ser desconfortáveis para navegar, no caso das pessoas que já sabem como manobrar um avatar devidamente, mas têm um propósito muito válido.
5. Campus em SL como um laboratório de aprendizagem: nem todos os professores em SL têm como objectivo 'criar edifícios digitais arquitectonicamente invulgares'....
(...)
(Ludlow) pode achar que os nossos Campus são pouco criativos OU regozijar-se com a sua usabilidade e valorização da aprendizagem."
Eu cá acho muito pertinente e actual o esgrimir de argumentos sobre a presença das Universidades em Second Life (como sabem é um dos temas que mais me tem ocupado nos últimos tempos).
Já tentei entender os argumentos 'cognitivos' e de 'envolvimento afectivo' com os objectos sugeridos por Jeremy Kemp, e acho mesmo que consegui entendê-los (se a mimesis fosse entendida como a pura cópia, então seria mais grave...).
Certamente haverá respostas díspares e igualmente válidas, mas as minhas raízes europeias (provavelmente) não me permitem simpatizar com a perspectiva da mimetização dos espaços das Universidades em Second Life.
Aliás, acho mesmo que a ausência de propostas arrojadas e que sujiram novas experiências de interacção com o espaço representado no monitor representará a perda de uma excelente oportunidade de aproveitar tudo o que os mundos virtuais como SL têm para nos oferecer de novo.
E, sobretudo, tenho constatado quão gratificante é para a comunidade académica lidar com novas formas de comunicação e de representação dos espaços.
Os meus colegas portugueses em Second Life que digam de sua justiça...