4.12.07

Como deve ser um Campus em Second Life?

Uma vez mais Andrea Foster, do The Chronicle of Higher Education, fala de Peter J. Ludlow, um professor de Filosofia na Universidade de Toronto. Desta vez a respeito dos Campus Universitários em Second Life. E lançando uma questão muito polémica!

Universidades de todo o Mundo marcam presença em Second Life para divulgar os seus programas, organizar aulas e conferências online, e realizar investigação. Pelo menos 170 Campus foram criados em SL, como refere um recente artigo do International Journal of Social Sciences.

Mas, segundo o professor Ludlow, aos Campus virtuais falta imaginação, uma vez que replicam as instituições reais. "É isto que querem quando podem 'começar de novo', e não estão limitados pelas leis da Física, e podem construir tudo aquilo que quiserem para melhorar a aprendizagem?", pergunta Ludlow. "Se pudesse criar o ambiente educativo ideal, iria eu duplicar o Edifício 7 e ir trabalhar? As Universidade devem promover a originalidade. Por exemplo, devem criar edifícios digitais arquitectonicamente invulgares."

Jeremy Kemp, da Universidade de San José, expressou uma opinião exactamente oposta na mailling list de educadores em Second Life:

"É um cliché nos dias de hoje torcer o nariz aos edifícios realistas. 'Porquê a preocupação em entrar em Second Life se vamos reconstruir o nosso Campus?". Este é um mau argumento por várias razões:
1. Os estudantes recém-chegados a SL necessitam de ambientes familiares. Quando os nossos estudantes entram em SL, vão invariavelmente ao nosso Campus. A última coisa que queria era induzir desiquilíbrios cognitivos...
2. O Campus em SL como uma actividade promocional: As estruturas 'sem gravidade' com poucas semelhanças com o Campus não criam bons registos fotográficos. E todos sabemos que muita da nossa actividade é promocional.
3. Campus em SL como um espaço polivalente: constatei que os avatares se movem segundo estádios de desenvolvimento - andar, voar e depois controlar a câmara. Claro que Ludlow não está no nível 'andar', mas a maioria dos meus estudantes estão. Usam as portas, respeitam as paredes e até usam as escadas (o que até me 'dá a volta ao estômago').
4. Campus em SL como estatuária: penso que os edifícios realistas são o equivalente, em SL, às estátuas dos 'College Founders' que se podem encontrar em qualquer Campus real. As estruturas reais podem ser desconfortáveis para navegar, no caso das pessoas que já sabem como manobrar um avatar devidamente, mas têm um propósito muito válido.
5. Campus em SL como um laboratório de aprendizagem: nem todos os professores em SL têm como objectivo 'criar edifícios digitais arquitectonicamente invulgares'....
(...)
(Ludlow) pode achar que os nossos Campus são pouco criativos OU regozijar-se com a sua usabilidade e valorização da aprendizagem."

Eu cá acho muito pertinente e actual o esgrimir de argumentos sobre a presença das Universidades em Second Life (como sabem é um dos temas que mais me tem ocupado nos últimos tempos).
Já tentei entender os argumentos 'cognitivos' e de 'envolvimento afectivo' com os objectos sugeridos por Jeremy Kemp, e acho mesmo que consegui entendê-los (se a mimesis fosse entendida como a pura cópia, então seria mais grave...).
Certamente haverá respostas díspares e igualmente válidas, mas as minhas raízes europeias (provavelmente) não me permitem simpatizar com a perspectiva da mimetização dos espaços das Universidades em Second Life.
Aliás, acho mesmo que a ausência de propostas arrojadas e que sujiram novas experiências de interacção com o espaço representado no monitor representará a perda de uma excelente oportunidade de aproveitar tudo o que os mundos virtuais como SL têm para nos oferecer de novo.
E, sobretudo, tenho constatado quão gratificante é para a comunidade académica lidar com novas formas de comunicação e de representação dos espaços.

Os meus colegas portugueses em Second Life que digam de sua justiça...

22 comentários:

Sérgio Tenreiro de Magalhães disse...

Viva,

Parece-me que há tempo para tudo: tempo para promover a adesão e tempo para promover a qualidade da utilização. O SL é, na minha opinião, um espaço único de promoção de novas abordagens ao processo de ensino/aprendizagem. Mas Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer para atingir um patamar de utilização semelhante, por exemplo, ao dos nossos colegas brasileiros. A abordagem mais conservadora, em que a realidade virtual imita a realidade física, poderá facilitar a adesão daqueles para quem a informática ainda não é algo de banal e, talvez, até dos outros também. Mais tarde, poderemos/devemos dar o salto qualitativo que o virtual nos oferece.

Cleo disse...

Esta questão é uma agulha de dois bicos.

Já visitei muitos campus universitários em SL (passei por quase todas as universidades americanas em SL, MIT incluído). A maioria apresenta réplicas dos seus edíficios reais.
Nas visitas efectuadas, não pude deixar de fazer um “about land” e apreciar o tráfego. A maioria das instituições por onde passei tinha um tráfego baixíssimo, nunca superior a 10 e, em alguns casos, tráfego zero (a minha presença deve ter feito dispará-lo para 1)! Perguntei-me, na altura, para que querem isto aqui? Para que serve isto? O que farão aqui?

Posteriormente, tive oportunidade de encontrar uma professora de uma das instituições que visitara (altamente conceituada) e perguntei-lhe se ela utilizava o espaço para dar aulas ali. A resposta foi imediata, qualquer coisa do tipo (não recordo as palavras exactas): “Aqui não! Isto é para visitar e todos poderem ver os nossos projectos. Eu dou aulas onde quero, depende... geralmente prefiro os jardins!”

Parece haver, de facto, uma necessidade de mimetização com vista a uma marca e presença institucionais, promocionais, etc, tal como descreves, PalUP.

No âmbito da educação, este assunto torna-se delicado na medida em que faz uma tangente com a questão da replicação de aulas da RL para SL – um edíficio com salas iguais às da vida real só poderá estar destinado à leccionação de aulas na mesma linha, numa promoção de “mais do mesmo” agora em formato digital (uau)! Lá se perde toda a riqueza e potencialidades que SL nos oferece e se recusa o desafio à criatividade e originalidade que esta incentiva.
Por outro lado, se as pessoas ao entrarem não reconhecerem nada... podem sentir-se perdidas e sofrer de “choque” cognitivo, ou desequilíbrio, como tu dizes (apesar desta questão poder ser deambulada por uma sólida formação inicial em RL sobre SL, aspecto que me preocupa sobremaneira).

E chego à agulha de dois bicos: o pôr-do-sol em SL não teria beleza nenhuma senão tivessemos o referente dos belos pores-de-sol que a RL nos oferece; o som das ondas a rebentar em SL, não teria significado se não o conhecessemos da RL; as árvores a abanar ao vento não passariam de objectos irrequietos se nunca tivessemos passado por um dia ventoso em RL.... etc,...etc....

Há sempre um referente da RL que dá sentido às nossas vivências em SL.... mas fará sentido reproduzir em SL todas as referências da RL?

Não sei como deve ser “desenhado” um campus universitário. Não tenho resposta, nem sei se alguém terá. Sei que por detrás de qualquer “desenho”: i) existirão objectivos (que poderão ir desde questões de marketing ao desejo genuíno de inovar); ii) demarcam-se posições epistemológicas face às actividades educativas que se pretendem levar a cabo; e iii) identifica-se a visão prospectiva das potencialidades educativas da SL subjacente.

M2life disse...

Não havendo respostas objectivas para o problema colocado, pode haver (e há) opiniões firmadas. Pessoalmente, eu não vejo qualquer vantagem na replicação dos espaços de ensino RL em SL, salvo para efeitos de marketing ou publicidade como referiu a Cleo.

Enquanto formador em SL, as aulas que dou são sempre em espaços abertos, ajardinados, onde nem sequer existem cadeiras ou bancos, mas objectos de formas e cores diversas onde os avatares se podem sentar se o desejarem.

A informalidade do espaço conduz a uma informalidade da própria aula que tem conduzido a um interesse renovado pela matéria dada e a uma participação activa a nível dos formandos, que pelo facto da aulas serem dados neste espaço informal nem por isso as têm tomado como ‘brincadeiras’ e menos ‘sérias’.

A integração dos formandos tem sido total e não tem existido o sentimento de estranheza de que fala Jeremy Kemp. Apenas houve uma excepção (um formando) que de facto sentiu essa estranheza mas que rapidamente foi ultrapassada.

Esse formando, no inicio da aula envia-me um IM perguntando-me: Mas a aula vai ser aqui, num jardim? E não há bancos nem secretárias? Depois de eu responder afirmativamente a ambas as questões, o formando envia-me mais um IM: Mas se quiseres eu tenho no meu inventário carteiras que te posso passar para colocares aqui... ;-)

Sérgio Soares disse...

A questão é complicada.

Como quase sempre quando toca a educação, existem sempre opiniões muito divergentes, não deixando de ser quase todas elas de ter a sua parte de validade.

No que respeita a parte de como deve ser um campus no SL, a minha opinião, além da pouca importância que possa ter, é para que se possa achar um ponto intermédio.

Se as universidades estão a recriar o seu campus num ambiente virtual, usando-o de uma forma promocional, porquê não continuar? É razoável que isso aconteça. Mas porque não criar também um ambiente diferente, aproveitando assim as potencialidades oferecidas pelo SL? É só fazer uma simples divisão dos espaços.

Com os dois ambientes em conjunto acho que se poderia agradar a “Gregos e Troianos”, os estudantes que necessitam de um ambiente familiar e os que se adaptam com mais facilidade á inovação. Assim poderiam coexistir dois tipos de campus: um virtualmente real e outro realmente virtual. Cada professor poderia utilizar o ambiente que mais lhe agradasse ou que achasse mais indicado para o grupo com que estivesse a trabalhar.

Acho quedesta forma se abre as portas para a utilização do SL em quase todas as suas potencialidades.

José Pedro Silva disse...
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José Pedro Silva disse...

É de facto um tema pertinente, que desperta as mais variadas opiniões.
O espaço Universidade no SL, deve ser, na minha opinião, um espaço complementar à Universidade como instituição e deve recorrer às mais variadas formas de reconhecimento que são adquiridos em RL (onde o visual ganha lugar de destaque) e transportá-las para o mundo virtual, mundo esse, que disponibiliza novas formas de interagir.
No entanto, é natural, que uma instituição implementada em RL, transporte e preserve a sua imagem como referência para um mundo virtual, espelhando e ampliando as suas valências para um ambiente ao qual se deve adaptar, passando a funcionar como se de uma segunda morada se tratasse. Uma outra situação é quando um Campus nasce e se desenvolve no SL como sendo a primeira e única morada. Aí os criadores avançam o processo de adaptação e podem construir de raiz o Campus, tendo em conta todas as potencialidades do programa.
Acima de tudo, deve ser um espaço de transmissão dos mais diversos tipos de informação, à imagem das mais diversas tecnologias e ferramentas adquiridas em RL e misturar de forma adequada, as qualidades dos dois mundos.

nunobarros disse...

Sendo o Second Life é um ambiente virtual e tridimensional que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano, que pode ser encarado como um jogo, um mero simulador, um comércio virtual ou uma rede social. Dependendo da forma como é utilizado, a construção dos espaços virtuais gerados em SL deve ter em conta todos estes aspectos aquando da definição de um projecto de um campos, senão vejamos. Autores defendem que a utilização do SL por Universidades pode causar desequilíbrios cognitivos causados pelo impacto da diferença entre os espaços virtuais dos campus em SL e o espaço real a que os alunos estão sujeitos no dia-a-dia. Pois bem, o utilizador SL tem em seu poder um conhecimento prévio daquilo que ira encontrar, estando precavido para as diferenças com o RL que uma visita a um campus da SL lhe proporcionará. O SL é apenas uma simulação, que não poderá nem deverá interferir nos propósitos da vida real, pelo menos no que diz respeito a causas de desiquilibrios cognitivos. Um campo em Second Life é antes de mais uma oportunidade fantástica para retratar de uma forma virtual um desejo de construção que poderá traduzir-se numa transmissão de uma mensagem, que em mundo real seria difícil de concretizar. A forma de representação dos espaços em Second Life deve ser aquilo que o criador quer, de forma a passar a mensagem que o criador propõe passar. Não podemos, nem devemos definir um espaço Second Life como um protótipo, que deve ser seguido por todos, mas sim uma oportunidade de criação e inovação, que deve ser aproveitada, utilizada e explorada até onde for a imaginação dos seus criadores. Definir um campus Second Life, com linhas de construção e representação gráfica, seria retirar todo o brilho à aplicação e pré-determinar todo aquilo que poderíamos encontrar quando visitamos um campus pela primeira vez.
Um campus Second Life deverá ser portanto o resultado de um desejo, imaginação e inovação gráfica, capaz de se traduzir numa mensagem ou numa vontade que o seu criador pretenda passar, e não um mero aglomerado de representações gráficas incoerentes, sem vida e sem interesse seja ele comercial ou social.

JoanaFreitas disse...

No nosso ponto de vista, um Campus em Second Life deve ser constituído por alguns edifícios iguais à realidade, para ser mais fácil identificar os locais. Contudo, este deve apresentar algumas mudanças a nível do ambiente envolvente, ou seja, ter um ambiente original de modo a incentivar qualquer pessoa a participar.
Deste modo, deverá ser composto por vários meios de interacção, nomeadamente um espaço de convívio ao ar livre inserido num jardim onde, também, se possa dar aulas, fugindo, assim, do método tradicional.
Além disso, deverá ter um café, uma biblioteca futurista, um auditório moderno constituído por pufs, salas de aula compostas com tecnologias inovadoras, entre outras coisas.
Um outro ponto a referir, na nossa opinião, é que não deve haver as barreiras arquitectónicas que existem no dia-a-dia na Real Life. Por exemplo, se podemos voar porque é que temos de subir escadas?
Em suma, o Campus não deve ser exactamente uma réplica da realidade mas sim um espaço arquitectónico diferente e inovador.

Ana Vera Macedo,
Joana Freitas,
Vera Ferreira

paula disse...

A vantagem do Second Life é que permite tudo ou praticamente tudo. A decisão de como deve ser um campus neste ambiente depende dos propósitos das instituições académicas e de como pretendem usar a plataforma.
É certo que vivemos numa era em que a força do marketing e a imagem é meio caminho andado para o sucesso, este um dos pilares referência da cultura dos criadores do SL. Mas só isto não é suficiente para manter no tempo o trabalho, o prestígio e o valor de uma Universidade com tradição no mundo real. A fantasia gráfica apenas pela fantasia gráfica não conduz a nada e não traz retorno nenhum.
Também não partilho inteiramente da opinião que só se deva estar no e usar o SL como uma duplicação ou extensão nos mesmos moldes da realidade. É a meu ver, desperdiçar recursos e potencialidades que por enquanto só são possíveis neste contexto virtual. Se temos o mundo da “segunda” oportunidade então aproveitemo-lo para inovar livremente, fazer com imaginação ou criar de novo.
O realmente importante, é que seja diferente.

Paula Duarte

Anónimo disse...

É uma questão pertinente visto que o mundo virtual está desenvolver, e isto leva-nos a pensar a opinar.
Nesse mundo pode ser feito tudo e mais alguma coisa possível e imaginário e até mesmo construir universidades. As aulas podem ser dadas tanto ao ar livre como também nas salas de aulas, dependendo das preferências de cada aluno ou de quem a visita. Os alunos que preferirem ter aulas em salas de aulas, eles esperam encontrar todas as condições necessárias que uma sala de aula real podia ter.
Na nossa opinião um Campus em Second Life deve ter as mesmas condições e privilégios que uma universidade real, tanto á nível de infra-estruturas como ao nível do ensino e atendimento, de modo a satisfazer as necessidades dos alunos e visitantes. As infra-estruturas devem ter todas as seguranças desde os projectos até as construções. Deve ter muitas salas de aulas e em cada sala deve ter pelo menos uma secretária para o professor, várias carteiras para os alunos e computadores. Os edifícios devem ter escadas, elevadores, espaço de convívio, jardim, bares, salas de desportos, piscina, casa de banho, biblioteca, salas de informática, sistemas de segurança, local de estacionamento dos carros, etc. Seria óptimo na nossa opinião que seja como a vida real, pois ao entramos ali é essa a ideia que levamos.

Artemisa Ferreira
Dino Fragoso
Elisângela Rosa

cristina disse...

Como os colegas já referiram e bem, trata-se de um tema de uma certa relevância, que deve ser pensado e discutido.
Cremos pois que as Universidades devem aproveitar a possibilidade de poderem se alojar no SL, um ambiente virtual que se tornou tão conhecido e afamado para promoção de suas Instituições, nomeadamente no que diz respeito ao ambiente gráfico e arquitectónico mas sobretudo que as universidades sejam no SL com um espaço de educação que complementa a Universidade naquilo que é na realidade. Que seja de facto uma mais-valia para as universidades e para os alunos. As universidades devem utilizar o SL como um espaço para compartilhar Serviços, Conteúdos, Aplicações não só dentro mas também fora do mundo virtual. Para alem de vir a ser uma forma de massificar a utilização do computador
Assinado:Cristina Mendonça Kelly Chantre e Isac Cardoso

Tiago disse...

O homem sempre teve o hábito de limitar os seus sonhos à experiência do que lhe é próximo, ou seja, forja e consolida as suas relações, mais facilmente, no que lhe parece ser o real.
Quando nos pedem uma opinião crítica, nada nos obriga a fundamentar o nosso ponto de vista nas concepções que outros podem julgar mais válidas (até porque deixaria de ser uma opinião para ser um parafraseamento), mas, porque sempre desejámos moldar as nossas dissertações e associá-las ao nosso senso crítico, fundamentá-las-emos nas nossas investigações e conclusões pessoais.
O Campus em Second Life deve ser aquilo para que se destina.
Dizer que não deve ter limites, nem contornos é muito vago. Cheira-nos a frases e ideias pré-concebidas num articulado filosófico do qual não partilhamos.
Como deve ser um Campus em Second Life?
Assentar simplesmente na realidade, parece-nos muito curto. Sem entrar no mundo surreal, ele deve ser concebido num quadro que nos seja um pouco familiar, sem contradições, tornando-se um permanente desafio à descoberta de novas formas. Inovar é tarefa do quotidiano, é a tarefa de cada homem.
Reduzir o Campus em Second Life à realidade física seria ignorar essa capacidade de inovação e circunscrever-nos-ia nos conceitos inventariados até hoje. Mas, não é isso que interessa!
O desafio de criar provoca a criação. O desejo de descobrir leva a actos experimentais. A frustração leva ao sentido da tentativa e da repetição. O real pode apresentar-se, muitas vezes, com conclusões estáveis, mas apenas limita a nossa capacidade criadora, a nossa capacidade de descoberta, a nossa capacidade de mudança. Mas isso não deve ser muito preocupante (no nosso ponto de vista), porque o homem, ainda que avesso à mudança, acaba sempre por cair nela, quer provocando-a (inconscientemente), quer pelos factores externos que, em si mesmos, a provocam. Já dizia a nossa professora, no 1º Ciclo: “Quem pára, recua, pelo menos, os outros tomam-lhe a dianteira”.
Então, como configuramos o Campus em Second Life?
Pelo equilíbrio!
Os edifícios e espaços adjacentes devem-nos ser familiares, mas com uma projecção futurista, numa estrutura arquitectónica vocacionada à sua finalidade, ultrapassando o presente, num sentido de afirmação no futuro. Assim, não deixaremos de redesenhar a sua funcionalidade e o seu interesse de uma forma simples e compreensível para que o conteúdo do nosso comentário não seja exaustivo tornando-se fastidioso.
Poder-nos-íamos alongar muito mais, porque o Campus em Second Life reveste--se do maior interesse e terá a arquitectura académica, social e económica dependendo da capacidade do utilizador que a edifica, ainda que de um modo virtual.
Mas sejamos cuidadosos em não criar desequilíbrios insustentáveis (fantasiar o impossível, no Campus em Second Life, não terá o interesse que pode ter em outras plataformas). Estamos a falar de um “Campus” que, neste momento, integra e concentra uma ciência real e o desequilíbrio entre esta e a ciência virtual pode ter um efeito estéril ou mesmo esterilizante, pelo menos a curto prazo, se não for controlado. Porque a ciência real ou virtual tem de ser dirigida de forma a tornar-se concreta e concretizável, caso diferente, não a torna aceitável.
Que esta nossa liberdade de expressão e de pensamento não subverta a liberdade dos outros, assim como, a organização académica e social do nosso Campus, mas que o nosso pensamento mobilize energias e modos de interacção.

Pedro Sequeira
Tiago Martins

Manuel_Costa disse...

“Como deve ser um Campus em Second Life?”

Geralmente associa-se esta questão ao design, que vai desde a arquitectura das edificações até aos mais pequenos objectos existentes no Second Life. Um design mais aproximado do real pode provocar-nos sensações de familiaridade, segurança e à-vontade, coisa que dificilmente não acontecerá numa perspectiva mais irreal que nos remeterá para o desconhecido, mas que terá um forte aliciante: a habilidade de inovar, no sentido de explorar ao máximo a usabilidade e a acessibilidade.

O ideal seria atingir-se um equilíbrio de forma a conjugarmos as vantagens da aproximação ao campus real com as capacidades únicas proporcionadas pelo Second Life, como aliar marcos identificativos que caracterizem particularmente uma determinada universidade, para ser mais fácil a sua identificação e promoção no SL, com algo irreal mas e inovador que venha melhorar a capacidade de ensino/aprendizagem por exemplo são novas formas de interactividade entre docentes e alunos em aulas virtuais.

O que tenho constatado é que na maioria dos casos não existe por parte dos responsáveis pela criação dos espaços essa procura pelo equilíbrio, casos típicos são o de nos perdermos nos edifícios, ficarmos presos, não conseguir-mos focar o nosso avatar na posição ideal para realizar algo, estas e outras situações vêm provocar uma certa frustração e desanimo a quem utiliza um campus no SL, para que coisas como estas não aconteçam, deve-se fazer uma planificação pormenorizada sobre o que se vai incluir no campus, a maneira como tudo vai ser disposto nele e por fim testar exaustivamente o que foi feito, corrigindo o máximo possível de “erros”, sei que o que digo não é fácil de se concretizar pois tal como o mundo real o SL está em constante movimento, mas tem que se evoluir neste sentido para que se possa garantir um espaço que realmente funcione eficientemente e que quem vá usufruir dele se sinta bem a faze-lo.

Manuel Costa

Elder disse...
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Elder disse...

ola, na minha opinião de aluno um Campus universitário no SL deve ser interactivo, apelativo.... que atraia a atenção dos alunos e os leve a participar activamente no Campus virtual de igual forma que participam no Campus real. A implementação de um mundo universitário virtual deve focar aspectos de aprendizagem que pouco ou nada se assemelhem aos já utilizados no mundo real pois a interacção física é posta de lado dando lugar a interacção virtual (SEC XXI). O suporte prestado ao aluno deve ser em formato digital sendo a temática dos videojogos um tema a explorar como uma forma eficiente de ensino....

Artemiso Tavares disse...

Cordialmente,

Eu sou a favor da criação de um campus aproximado da nossa realidade física e na nossa era moderna.

Quando falamos da construção de um campus em Second Life, há que pensar no publico alvo (Estudantes):
- Que meios necessários usa-se para mobilizar e aproximar esse publico;
- Será que aqueles meios que se usa são familiares ou que ajudam na cognição da mesma?

Tendo em conta a globalização que vivemos, os objectivos do campus deve passar por assumir interactivamente o nível de construção como um espaço físico, onde haverá uma troca mutua entre a realidade do nosso mundo físico com a realidade que podemos constatar fora da mesma, visando sempre a capacitação e o desenvolvimento sobre o Projecto de gestão com recurso e ferramentas pertinentes.

Adelcides Rodrigues disse...

Campus em second life.html

Eu sou a favor porque ,uma intervenção apoiada no processo tecnológicos nesse mundo vamos ter mais meio para ter um boa aprendizagem . sugiro a implementação da proposta como estratégia pedagógica na proposição de ambientes de aprendizagem para a educação matemática a distância e como apoio ao ambiente presencial,irão ter uma capacidade de um saber-fazer para um saber-explicar quem sabe com isso podemos ter mais aproveitamento ao nível de matemática.

Anónimo disse...

Hallo,

Pelo que tenho vindo a ler, existe dois pontos distintos. Um ponto é se o campus em si deve ser uma réplica do RL ou não. Outro ponto é se a sala de aula, ou espaço em que a aula decorre, deve ou não ser uma réplica da nossa tradicional sala de aula.

Acho que toda a gente concordou que a sala de aula deve ter um ambiente completamente novo, mais atractivo, apelativo, relaxante, criativo e até mesmo mais informal.

Quanto ao Campus, em termos de estruturas arquitectónicas, acho que deve ser uma réplica semelhante ao RL. Por vários motivos. Porque, um, é um incentivo às instituições promoverem o seu espaço no SL, e se as instituições acham que é gratificante que isso aconteça, acaba por haver uma promoção do SL na RL. Porque, dois, quem começa a utilizar o SL sente um impacto enorme quando entra pela primeira vez, tentar diminuir esse impacto ao ter um Campus mais realista, em termos arquitectónicos, é um aspecto positivo. Porque, três, ter um Campus próximo da realidade pode levar as pessoas mais curiosas a visitar o Campus, ou até mesmo instalar o SL para visitar o Campus. Porque, quatro, quem conhece o Campus RL e visita o Campus no SL, se o Campus for diferente, vão se sentir perdidos.

Isto pode trazer um revés, que é, se eu já conheço o Campus RL, se já domino o SL, não irei ficar cansado de estar sempre a ver o mesmo Campus no SL, igual ao RL?
Provavelmente sim, mas por isso mesmo é que fiz questão de sublinhar que estava a referir ao Campus em termos arquitectónicos, fazer um réplica semelhante e não igual.
Em suma,
O ambiente envolvente, quer os visitantes, quer as aulas, deverão ser sempre diferentes.
O Campus, em termos arquitectónico, deve ser semelhante ao RL. Por questão de orientação de quem lá vai pela primeira vez, para despertar a curiosidade a possíveis “turistas”, e para promoção das próprias instituições.

Joaquim Costa

As dez morabezas disse...
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Ribeimc disse...

Boa tarde,

Para mim o campus no SL tem de ser simples e dinâmico, onde além de chamar a atenção proporcione aos visitantes uma forma simples para ter acesso à informação que certamente procuram.
Logo tem de ser de fácil utilização mas ao mesmo tempo que exista uma oferta diversificada relativamente à mensagem que a própria universidade quer transmitir. Deve conter a informação necessária para não restarem dúvidas quanto à oferta e aproximar-se o mais possível da realidade para que a opinião final seja a melhor quanto aos serviços e instalações.

Marta Ribeiro

Helton Galina disse...

Ora para começar se universidades criam uma “vida” em SL, com fins próprios e interesses da divulgação dos seus programas, onde o destaque vai para o ensino, e não um fantasia, diria que não deviam fugir muito da realidade, pois digo isso porque o poder de opinar aqui recai sobre o aluno, e na minha opinião, o aspecto físico é o destaque de tudo, imaginemos que um pessoa se encontra no SL contudo este não tem conhecimentos suficientes para se “safar” como seria? Aqui se o campus tiver uma proximidade da realidade não terá muitos problemas porque se encontra familiarizado com aquilo que já tem ideia…não quer dizer que não haja novas inovações, sim é necessário no mundo virtual, mais não tomemos isso com uma total fantasia; …. Mas isso tem que existir no mundo virtual e SL, é o primórdio esse aspecto, inovações traz interesses e motivação e tudo esses estão por detrás de criatividade. Por outro lado temos os que preferem a radicalidade onde tudo é um mundo de fantasias, pode ser que ali estejam mais a vontade.

Anónimo disse...

Na minha opinião, penso que este assunto se divide em dois pólos distintos.
O primeiro em discussão, será facto de o campus ser completamente igual em RL e SL, o que poderá facilitar na interacção dos utilizadores que menos dominam e não estão habituados á realidade virtual.
O segundo em discussão, será o facto de o campus ser diferente em RL e SL, o que na minha opinião é o mais correcto porque um utilizador que navega em realidade virtual procura sempre nesses sítios algo de inovador, de interactivo e até algo que na vida real não seja possível, ou improvável.
Sendo assim acho que os campus do SL estão bem estruturados, apenas precisam de um bocado de mais indicações para que os utilizadores menos preparados, não fiquem “chocados” com os tipos de ambientes e para que se consigam orientar dentro dos campus.



Fábio Carvalho