A tendência autofágica da informação que circula
Foi já há 3 anos (!!!) que aconteceu o 3º Encontro Nacional e o 1º Encontro Luso-Galaico sobre Weblogs, no Porto, onde José Luis Orihuela perguntava: "Porque é que os weblogs (não) vão acabar em 2006?"...
À época, o desafio de Orihuela era interessante, divertido e de resposta óbvia: não, os blogs não vão acabar em 2006 (quanto mais não seja para que se possam organizar os Encontros seguintes, como veio a acontecer).
Mas os blogs, ou blogues, de que falava Orihuela, não são os mesmos de 2009! Nem podiam ser!
A blogosfera (uma espécie de bolha instalada algures no ciberespaço) perdeu muito do seu carácter corporativista para as redes sociais e para o chamado 'microblogging', até para os mundos virtuais...
A incontornável atracção da componente social no ciberespaço, continua a fazer com que as coisas mais estranhas aconteçam, e onde menos se espera...
As redes sociais mais conhecidas (Hi5, Orkut, Friendster,...) continuam a 'encher a barriga' de Facebook, que, por sua vez, se alimenta da sua principal aposta: a chamada 'interoperabilidade' com outras ferramentas inicialmente com funções distintas, como os mundos virtuais, os blogs e o microblogging (Twitter à cabeça)...
Na prática, tudo isto se manifesta numa complexa e intrincada teia de informação que segue os mesmos percursos até se alimentar dela própria: um verdadeiro caso de autofagia! Ou um mega cibercorpo de sistema venoso potencialmente explosivo!
Se publico no meu blog: "Não percam esta notícia do Público em http://tinyurl.com/codvb9", passados segundos, se eu quiser, tenho publicado o mesmo conteúdo no Twitter, no Google Reader ou no Facebook, por exemplo..., para quem me 'seguir'!
E repito: o mesmo conteúdo, os mesmos caracteres, a mesma narrativa, o mesmo formato...
Por isso há blogs que são microblogs (adoptando os famosos 140 caracteres do Twitter), e que amanhã serão nanoblogs...
Por isso há contas no Twitter onde se publicam apenas ligações a blogs, que, por sua vez, são microblogs iguais ao Twitter!!!
Na minha rede de 'amigos' em Facebook encontro toda esta informação, que sigo fielmente.
A mesma informação que encontro no Google Reader, as mesmas frases que me aparecem no Twitter, os mesmos feeds que obtenho em Second Life!
Esta tendência autofágica da informação que me circula pelas 'veias digitais', fica a dever-se ao pouco/escasso/inexistente cuidado que os cibercidadãos parecem ter quando usam uma linguagem específica...
As particularidades dos meios ao serem 'esquecidas' ou propositadamente 'miscenizadas', transformam a mensagem numa coisa sem piada, sem métricas próprias, semanticamente pobre...