10.1.08

As previsões de Dans


Enrique Dans é daquelas personagens de leitura incontornável quando se quer pensar...
Não é a primeira vez que o cito, e, desta vez, faço-o pelas suas Previsões Tecnológicas para 2008 publicadas em Cinco Días para o Instituto de Empresa, com o título “El Instituto de Empresa hace sus previsiones“ (artigo em colaboração com Fernando Aparicio, Jose María García e Alberto Knapp). As previsões de Dans são as seguintes:

Georeferências, localizações e o valor do local
a abundância e ubiquidade de dispositivos de localização e a disponibilidade de plataformas de publicação cidadãs, levar-nos-á a uma Internet na qual a pergunta relevante já não será unicamente “o que existe sobre este tema” ou “o que existe sobre este tema neste marco temporal”, mas também “o que existe sobre este tema na minha cidade ou no meu bairro”. A web reflectirá o facto de passarmos 90% do nosso tempo numa área geográfica concreta, e o que ocorre nela pode em muitas ocasiões ser mais relevante para nós do que o que ocorre fora dela.

Aplicações em rede
um número cada vez maior de pessoas optará por colocar os seus ficheiros e desenvolver grande parte do seu trabalho em servidores na Internet, em vez de o fazer no seu disco rígido, com o auxílio de tecnologias que permitirão continuar a trabalhar no caso de interrupção da ligação.

Mobilidade
2008 será o primeiro ano de banalização do uso de terminais móveis como ferramentas de acesso à Internet, graças às tarifas cada vez mais baixas e de terminais com elevado nível de popularização, como o iPhone. Procurar informação na rede no meio de uma conversa ou usar o telefone para ler notícias será algo cada vez mais habitual.

Sincronia
2008 será o ano da comunicação síncrona. Da mesma maneira que Twitter o iniciou em 2007, multiplicar-se-ão e serão cada vez mais populares as aplicações, independentes ou ligadas a redes sociais, que nos manterão em contacto permanente, em tempo real, com amigos e conhecidos através de todo o tipo de plataformas.

Virtualização como tecnologia emergente
muitos dos servidores com os quais trabalhamos nas empresas e centros de computação, converter-se-ão em virtuais, e serão suportados de forma independente da máquina que ocupem, com vários servidores por máquina e “nuvens” de computadores formando plataformas integradas. O uso cada vez mais ubíquo de tecnologias de virtualização de servidores provocará importantes poupanças energéticas em consumo de electricidade e em necessidades de refrigeração, possibilitará menores tempos de quebra, e uma maior flexibilidade no uso dos recursos.

Green IT

relacionado com o ponto anterior, desenvolver-se-á uma sensibilidade cada vez maior para os temas relacionados com o uso eficiente da energia, com a redução no uso de componentes perigosos para o meio ambiente, e com a reciclagem tanto dos componentes electrónicos, como dos recursos utilizados na sua fabricação."

1 comentário:

Zeta disse...

Olá Paulo.

Não consigo resistir ao teu Blog!
:)

Um dos paragrafos desta previsão transporta, camuflada, a "semente" para a revolução filosófica que se aproxima.

"Virtualização como tecnologia emergente:

Muitos dos servidores com os quais trabalhamos nas empresas e centros de computação, converter-se-ão em virtuais, e serão suportados de forma independente da máquina que ocupem..."

Porque a aceitação racional da separação entre a informação - software - e o seu suporte físico - hardware - , que hoje começa a ser já habitual.

e mais ainda o passo seguinte:

A percepção como real / verdadeiro de um servidor virtual / não físico...
por outras palavras:
um componente de hardware desmaterializado.

Ambos os conceitos vão no sentido inverso do que a herança cultural materialista dos ultimos 500 anos nos tem ensinado.

E... naturalmente... cada vez mais pessoas farão a analogía com a simbiose humana constituida pelo corpo e a sua consciência.

Por isso te dizia há dias que a metafísica está de volta á civilização ocidental.
Com a benção da ciência.

O que lhe garante um triunfo antecipado logo ao primeiro tempo do desafio...

Um humano não pode deixar de ser um "animal" religioso !!!

:))