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16.6.08

Lindens zangam-se com a 'balcanização' de Wagner James

Wagner James Au escreveu há dias, no seu blog, o artigo 'As sombras escondidas de Second Life', ao qual me referi recentemente aqui.

Ao que parece, os Lindens não gostaram muito da acusação de 'balcanização' em curso no metaverse defendida pelo blogger (pelo menos a julgar pelos comentários), e Wagner fez hoje questão de esclarecer o seu ponto de vista.

Pela sua pertinência e clareza, entendi oportuno rever os argumentos de Wagner James no seu post 'Como deverá ser Second Life em 3D?':

"Existem poucas evidências da procura de um mundo virtual 3D intensamente imersivo; em vez disso, os dados sugerem que o mercado diminui na proporção inversa ao aumento de imersão.

E porque digo isto? Reparem nos números:

Top dos Mundos Virtuais / MMO, em função da utilização, em 2008:

- World of Warcraft, 10 milhões de subscritores
- Habbo Hotel, 8 milhões de utilizadores activos por mês
- RuneScape, 5 milhões de utilizadores activos por mês
- Club Penguin, 4 milhões de utilizadores activos por mês
- Webkinz, milhões de utilizadores activos por mês

fonte: Gigaom

Há várias observações que podem ser feitas a esta lista. Primeiro, em nenhum dos casos existem gráficos 3D de última geração, topo de gama (WoW é 3D, mas desenvolvido com gráficos que correm bem em PC's antigos, embora não realísticos). Para além de Warcraft, no entanto, mais nenhum destes MMO's é realmente 3D, mas sim 2,5D. E enquanto alguns pensam que o interesse do mercado nos MMO's 2,5D levariam à procura de mundos virtuais mais imersivos e graficamente mais ricos, parece acontecer o oposto (o - ainda - popular Habbo Hotel foi lançado em 2000, e os seus gráficos tipo cartoon são basicamente os mesmos).

E é necessário 'descer' alguns milhões de utilizadores para encontrar MMO's e mundos virtuais que incorporam gráficos de última geração que exigem cartas gráficas 3D para optimizarem a visualização: Lord of The Rings Online com cerca de um milhão de subscritores, Age of Conan com cerca de 750.000 subscriptores... e Second Life com 550.000 utilizadores activos por mês.

E porque acontece isto? Aqui entramos em mera especulação, mas parece que a experiência das pessoas ultrapassa a em muito a questão da imersão; em vez do fascínio pela intensidade da simulação, elas sentem-se repelidas por ela. A questão do género pode ser um factor, e isso é particularmente preocupante. Um estudo do Georgia Institute of Technology sugere que a maioria das raparigas prefere de longe os jogos 2D que os 3D (questões técnicas à parte, o mais importante é: Se Second Life se tornar mais e mais 3D, irão as mulheres abandoná-lo?).

Sejam quais forem as razões, os números são difíceis de rebater. Os mundos virtuais dominantes não são fotorealistas e, em termos de popularidade máxima, não existe uma indicação clara de que o fotorealismo contribua para o aumento das vendas. As vendas da XBox 360 e PS3, a nova geração de de consolas com gráficos 3D topo de gama, são eclipsados pelo Wii.
(...)

A missão da Linden Lab é 'Ligar toda a gente a um mundo online que melhore a condição humana.' Penso que todos os que lêem o meu blog partilham deste sentimento. Mas se os Lindens realmente acreditam no que escrevem, a questão passa a ser: quais os melhoramentos técnicos que actualmente tornam mais difícil que a maior parte das pessoas se ligue entre si?"

fonte: new world notes

15.6.08

'E Tudo o Windlight levou'!

A polémica figura de Prokofy Neva, no seu blog Second Thoughts, não perde uma oportunidade para espetar diárias alfinetadas na turma dos Linden.

Desta vez, Prokofy comenta o vídeo de Torley sobre sombras, Windlight e outras inovações no 'maravilhoso' Second Life do futuro...

Atira Prokofy:

"Os Lindens, no seu escritório soalheiro da Califórnia, rodeados por geeks e outras pessoas que fazem das graduações modo de vida, cada vez com menos custos, não vivem como o resto do país - ou o resto do Mundo, e não se apercebem disso quando falam de computadores e de cartas gráficas.

A maioria das pessoas não é como os geeks de Silicon Valley. Não montam os seus computadores, ou compram máquinas personalizadas caríssimas. Adquirem computadores nas prateleiras das lojas que são o que a indústria oferece 'a todos nós' que vivemos fora dos círculos mágicos.

(...)

A maior parte do país vive assim. Liguei para familiares, dei umas voltas, falei com colegas. A maioria NÃO são geeks. Vão a uma loja, à Data Vision ou à Comp USA ou encomendam à Dell (que recusa dizer qual dos seus computadores corre melhor Second Life e que recusa publicitar isso em SL, o que é uma coisa incrivelmente retardada). E gastam não $2000 ou $1500 num desktop (os laptops correm SL indecentemente ou são caríssimos para que funcionem bem), mas gastam $500-750. Não sabem como instalar sózinhos uma placa gráfica, e têm receio de tentar desde a última vez que um geek lhes disse que era muito simples e danificaram o sistema irreparavelmente. Desculpem, mas isso (o que pensam os Linden) não é a norma. Torley (Linden) deveria entender isso para que os Lindens parassem de perder clientes.

No outro dia, enviei um IM a uma pessoa bem conhecida dos primeiros dias de SL, um produtor de conteúdos. Não conseguia encontrar a sua loja nem os seus produtos, e queria vê-los de novo, mas devo ter-lhes perdido o rasto. Deixei uma mensagem, e quando regressei encontrei um IM 'Podes ficar com tudo de borla, não estou mais no negócio.' Verifiquei o seu perfil, e apareceu a frase 'Gone with the Windlight'!..."


Para Prokofy Neva, 'balcanização' é um termo demasiado suave.
Do que Neva fala, é dos 'ventos que tudo levam', e que nascem das iluminadas cabeças de uma elite tecnológica que faz do 'resto do pessoal' um bando de iletrados.

Já aqui falámos desta presunçosa atitude de Silicon Valley, na época a propósito de trademarks, lembram-se?