28.4.08

'Os Deuses Irresponsáveis'


Mais uma novela foi lançada em Espanha, tendo como condimentos a realidade e os mundos virtuais. Desta vez foi Gabriel Mestre Oliver o responsável pela escrita, como noticia a o Diário de Mallorca:

"Gabriel Mestre Oliver não se separa dos seus auriculares. Uma lesão cervical provoca-lhe apitos constantes no ouvido que não o deixam trabalhar. 'O jazz ajudou-me a escrever a novela', confessa. (...) 'Els déus irresponsables' é a sua primeira novela, ainda que não seja de todo um novato na cozinha da escrita, uma vez que já se aventurou em várias ocasiões no relato breve. Esta obra (...) aproxima-se da ficção científica, apesar do escritor se mostrar cauteloso com a denominação deste género 'porque está muito adulterado'. Esta abertura a mundos futuristas ofereceu ao artista um leque de possibilidades muito amplo, já que, através dele, possibilitou uma importante crítica social, uns apontamentos de erotismo e inclusivamente algumas considerações teológicas não demasiado ortodoxas, tudo isso através de uma trama que procura cativar o leitor. (...)
Um dos pontos mais interessantes da história reside no jogo que se estabelece entre o mundo real e virtual, que chega a tal ponto que o leitor perde a noção de quando se encontra num ou no outro. Esta edição reforça esta intenção literária de Gabriel através de uma capa com um desenho do pintor em que são representados jogos de matrioskas, em que a maior oculta no seu interior as outras mais pequenas. (...)
'A minha mãe e o meu neto entenderam (a novela). Com isso pude comprovar que poderia chegar a duas gerações diferentes'.
Maria Antònia, a sua mulher, comenta que Gabriel, que reconhece sentir-se tão cómodo com a caneta como com o pincel, aproveita qualquer situação para rasgar o papel e que possui uma elevada capacidade de observação que centra nos seus personagens: 'Aproveita até a parte de trás dos relatórios médicos e toma notas nas salas de espera do hospital'. 'Sim, as situações e personagens do quotidiano são a minha inspiração', afirma o escritor. Daí que, na novela, transpire uma pulsão entre os costumes da época actual e as ligações às redes informáticas."

Como refere, sobre o livro de Gabriel, Miquel Luís Mestre no seu blog:

"O nome que o protagonista da novela dá à plataforma faz referência às bonecas russas (as que ficam umas dentro das outras) a mesma que um homem que aceda aos mundos virtuais obtém através de um duplicado da sua identidade e da sua pessoa.
É certo que num primeiro momento a carga de ficção pode ser desconcertante para quem é avesso aos mundos virtuais. Mas, precisamente, a história cria um mundo de identidades distribuídas que se alinham numa dimensão temporal. O autor consegue, assim, uma obra acessível a todos, sobretudo aos menos letrados em tecnologia."

O livro está já disponível online em catalão, aqui.

fontes: www.diariodemallorca.es e www.mestremestre.es

2 comentários:

Edgard disse...

Boas,

Talvez tenha tido o prazer de escrever a primeira novela (pelo menos em português) composta com os mesmos condimentos desta. Concorri ao concurso da Fnac para novos talentos de literatura no ano passado (2007). O livro foi escrito entre Setembro de 2006 e Janeiro de 2007.

Talvez minha abordagem ao mercado tenha sido anacrónica e/ou amorfa, não sei. Mas ainda gostaria de vê-lo publicado. Sabes alguma coisa que me possa ajudar? Obrigado.

Edgard Costa (aka GavezDois Decosta na SL)

Ps: leio regularmente o seu blog.

Paulo Frias disse...

Caro Edgar,

Infelizmente não tenho ideias para ajudar na publicação :( tb já me deparei com problemas semelhantes...

Abraço