31.7.07

Estará Second Life vazio?

Mark Bell, da Ball State University Muncie, tentou sistematizar algumas das razões pelas quais Second Life não está vazio, em reacção a alguns artigos publicados, nomeadamente na Wired e no L.A.Times.
Pedagogicamente, parece-me oportuno referir algumas das ideias do autor.
Nos últimos dias, o número máximo de residentes online tem rondado os 45,000. Não são contabilizadas contas "vazias", mas sim número de pessoas inworld. Nas últimas 24 horas, cerca de 1 milhão de USD foram gastos em SL. Ou seja, existem pessoas ligadas, mas, superficialmente, pode parecer um "mundo virtual vazio" para alguém que olhe à distância. Esse é o problema: uma visão superficial de Second Life pode confundir a opinião pública.
Eis alguns tópicos que ficam para reflexão:
> 24/7: Second Life é um ambiente persistente, e funciona 24 horas por dia e 7 dias por semana. Certamente a sua loja em SL terá mais clientes às horas normais de expediente, mas e... às 3:00 da manhã? Existem lojas a funcionar às 5:00 da manhã! Estará o seu negócio em perigo por funcionar "apenas" 16 horas por dia?
> Gasolina, comida, alojamento: Muito do movimento de qualquer "lugar" na RL está relacionado com actividades de primeira necessidade; comer, dormir, viajar... Em Second Life não é necessário comer, nem dormir, e podemos "teleportar-nos" em 5 segundos! Ou seja, menos movimento...
> "Face to Face": em Second Life é possível estabelecer comunicação intensa com várias pessoas em simultâneo sem sair do mesmo "local", através de IM's (instant messages). Ou seja, não existe a necessidade de mobilidade para comunicar. Posso entrar num local apenas com um avatar presente, mas que está a fazer uma dezena de negócios ao mesmo tempo!
> A2A e não B2B: em Second Life existe um modelo do tipo "avatar to avatar" e não "business to business". As transacções fazem-se entre indivíduos, e não existe a percepção exterior das trocas que se processam.
> Negócios "fora do mundo": não é absolutamente necessário um login para fazer negócios em SL; com os motores de busca de Second Life e um browser, é possível transaccionar bens e serviços, sem que seja visível o "dinamismo efeverescente" dos negócios.
> Terra, muita terra: comparado com a RL, Second Life tem uma densidade populacional potencialmente reduzida; existem imensas "ilhas" propriedade de apenas um residente, sem permissão de acesso público. Uma visão global do "mundo" dá, ao observador menos atento, a sensação de uma vasta imensidão não habitada.

Tal como para Mark Bell, a minha SL está repleta de pessoas interessantes, de locais aprazíveis, de objectos fascinantes. Mas, para chegar a esta conclusão, é necessário experimentar! Uma rápida análise de números e gráficos, ou uma visão periférica do sistema, induz necessariamente em erro os menos informados. É que os paradigmas de comunicação, negócio, sobrevivência, ..., em Second Life são substancialmente diferentes. Por baixo de um simples mapa fervilha... muita vida!

3 comentários:

Gaia disse...

boa noite Paulo. O problema das análises deste tipo é que são feitas, em muitos casos, por gente que vem só para fazer um trabalho e vai embora. Como uma jornalista do Observer que criticou a falta de um motor de busca em SL... Pasmo, ainda, com esse jornalismo, que vive de superficialidades e não de um verdadeiro empenho na investigação. Existe em SL tanta coisa a acontecer que nem sequer é difícil encontrar motivos de interesse. Mas quando não se quer ver...

Gaia Bosch

Paulo Frias disse...

boa noite Gaia. n�o podia estar mais de acordo ;) essa superficialidade nota-se, n� ;)

Gwyneth Llewelyn disse...

Já agora... o Portugal Diário deu também uma notícia perfeitamente irrazoável, à qual não consegui fazer um comentário (eles cortam o tamanho :) ).

A notícia original está aqui:

http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?div_id=291&id=843485

A minha resposta é semelhante à do Mark Bell (não tinha ainda lido o link a partir do teu artigo, obrigada!):

http://gwynethllewelyn.net/2007/08/26/please-get-your-facts-straight/