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17.6.09

Crónica de um taxista II



(crónica que começa com a reedição de uma história publicada
aqui em Setembro de 2007, e que continua com o relato do mesmo protagonista em 2009)

"António Luís, o Toly de Alfama, taxista ia para 25 anos, lembrava-se bem do tipo. Apanhara-o pela primeira vez à porta do Galeto, numa daquelas quintas-feiras efeverescentes em que os clientes parece que descobrem que a vida acaba ao domingo, e que por isso já só têm três dias para gozar.
O tipo (Mr. J., assim sempre o conheceu) tinha saído de um grupo de gajos com pinta de playboys que começam a noite às 23:30, depois de terem alimentado devidamente com picanha as miúdas recauchutadas que iam fazer pela vida. Essas já tinham saído lá pelas 23:00, mas Toly evitava chegar à Av. da República a essas horas porque não podia ter o seu Mercedes empestado de perfumes baratos: é que a patroa enjoava e vomitava invariavelmente nas saídas de Domingo até Sintra com tais aromas.
O que Toly estranhou naquela noite, é que Mr. J. não tinha nada a ver com os restantes personagens do grupo! Impecavelmente embrulhado em fatos Boss, camisa branca e sapatos Sebago, Mr. J. usava um persistente perfume de business man, suave e seco, e isso agradava-lhe. Até se sentia importante a transportar o gajo, pensou da primeira vez.
A primeira corrida foi pela marginal até Cascais, com paragem prós lados do Guincho, onde Mr. J. saiu para, calma e pensativamente, olhar para o Mar, como se esperasse algum sinal ou tentasse avistar o lado de lá do Atlântico. A noite era de Primavera, clara de luar, e Toly chegou a asssustar-se com a demora: "Queres ver que apanhei um gajo zangado com a vida?", receou. Mas 10 minutos de contemplação foram suficientes para que Mr. J. avançasse decidido para o Mercedes reluzente com lavagem especial de quinta à noite.
Próxima paragem Estoril. Estoril Casino, entenda-se. Toly esfregou as mãos contentes, e a primeira imagem que lhe veio à cabeça foi a do skate laranja que andava a prometer ao puto há quatro meses! "Quando os gajos vão pró Casino, nunca mais de lá saem", sorriu. Deixou Mr. J. à porta do Casino, com a promessa de esperar pela sua saída fosse a hora que fosse! A vida começava-lhe a sorrir, e Toly relaxou. Sacou dum cigarro, e encostou-se ao Mercedes enquanto admirava Mr. J. a avançar decidido e imponente com o Rolex a reluzir no pulso, misturando-se com uma multidão de pobres almas dependentes do jogo.
Nos 90 minutos seguintes, passou o tempo a ouvir o Oceano Pacífico, um hábito entranhado da juventude longínqua, mas de que raras vezes podia usufruir com tanta calma. Conhecia o alinhamento quase de cor, e divertia-se a apostar na música que vinha a seguir.
Uma hora e meia rigorosa, e Mr. J. aparecia de novo à porta, impecável, com passos firmes e expressão sem emoções. "Pelo menos o gajo não bebeu", descontraiu Toly. Sentado calmamente no banco de trás, o distinto cliente pediu para ser conduzido a casa, em Entrecampos ficava. Toly, nessa noite, pensava que a vida de taxista assim até valia a pena. Gente importante, bom negócio, nada de extravagâncias nem as cenas maradas que Lisboa promove nas noites de quinta-feira.
Tranquilo, o trânsito, Entrecampos em 20 minutos. Na entrada do prédio com porteiro do Sr. Dr. Mr. J., como o taxista lhe passou a chamar, Toly delisgou o taxímetro e começou a fazer contas com um sorriso discreto na alma. Mr. J. interrompeu o deleite, e disparou: "Espera aqui uns dez minutos, que já volto."! Toly achou que tinha ouvido mal: "Espero? Vai voltar? Eh, claro que volta, certo?", atirou. Mr. J. sorriu, pela primeira vez nessa noite, e cantou com uma expressão dócil: "Caro amigo, esteja tranquilo, volto já.".
Toly esperava e nervosava enquanto tentava adivinhar os motivos de tão estranha paragem: "O gajo esqueceu-se do B.I.; ou foi buscar a mulher para sairem os dois; ou foi buscar algum documento para um negócio qualquer com alguém que conheceu no Casino; ou...."
Dez minutos rigorosos, o Sr. Dr. Mr. J. entra impecável no Mercedão e chuta: "Voltamos ao Estoril, amigo."! Toly arriscou perceber a cena: Mr. J. tinha ido buscar mais guito para torrar no Casino! Nova viagem, novos 90 minutos já sem Oceano Pacífico, novo regresso a Entrecampos e de novo um aceno ao porteiro, que entretanto roncava profundamente com a cabeça entre as mãos. A cena repetiu-se três vezes nessa noite, e acabou às 6:00 com Toly a pensar que, afinal, ia comprar um skate para ele e outro para a patroa para fazerem companhia ao puto. Mr. J. despediu-se tão educada e impecavelmente vestido como se estivesse a sair do Galeto às 23:30. Apenas avisou: "Amanhã vemo-nos à mesma hora no Galeto, ok?". Toly claro que sim, Sr. Dr., lá estarei, esteja descansado, pode contar comigo, sou um tipo sério...
Duraram um mês as viagens ao Estoril. Toly motorista (e não mais taxista) irrepreensível, Mr. J. cliente daqueles que já não existem, delicado e respeitador.
Foi também numa quinta-feira que Toly, enquanto tomava café ao fim da manhã em frente ao seu Mercedes com estofos novos, leu a notícia no Correio da Manhã: "Governo Português manda fechar os Casinos!" Toly abriu melhor os olhos cansados da noite com Mr. J., e leu mais abaixo: "Depois de considerar a actividade do jogo como uma fonte de graves episódios ilícitos, e destruidora de fortunas pessoais e de famílias inteiras, o Governo decidiu mandar selar os Casinos no Continente, permitindo que apenas a Região Autónoma da Madeira tenha estabelecimentos deste tipo em funcionamento para financiar o Governo Regional..."!!! Toly pasmou. Nunca tinha tido pena de Mr. J. pela dinheiro gasto no Estoril, porque a sua vida, a do Toly, tinha melhorado a olhos vistos. O pessoal em Alfama até desconfiava que ele andava metido nas ganzas, a patroa estranhava tanta abundância e o puto já corria para os seus braços quando chegava a casa. "E agora, caralho? o Mercedes não voa até à Madeira, porra. Sorte a minha... E o anormal do Alberto João é que vai controlar os taxistas na Madeira!".
Nessa noite de quinta-feira, Toly abancou à porta do Galeto, como habitualmente. Até chegou a tempo de ver as garinas a saírem para o trabalhinho! O grupo de amigos do Sr. Dr. Mr. J. saiu, previsível, às 23:30... mas de Mr. J., népias. Ainda esperou uma hora, recusando viagens a, pelo menos, uns quinze clientes. Até desistir.
Tentou mais vezes ir por aquelas bandas, mas nunca mais viu o Sr. Dr. Mr. J.
Cedo se convenceu que o seu cliente privado se tinha pirado para a Madeira, ou que se tinha "amandado da 25 de Abril". Como não viu nada nos jornais, inclinou-se pela primeira.
E nunca mais Toly fez a corrida até ao Estoril, porque, nos entretantos, o Casino foi convertido em Parque Temático com pistas de gelo e cenas prós putos.
O jogo tinha sido radicalmente eliminado do Continente, com direito a manifs de taxistas no Terreiro do Paço. Os jogadores tinham sido liminarmente banidos de cena.
Toly falou com a patroa, levou-a a um médico especialista na CUF que lhe custou os olhos da cara, mas certo é que ela nunca mais vomitou nos passeios domingueiros por causa dos aromas rascas no Mercedes. Toly passou de motorista privado de Mr. J. a taxista de meninas e playboys. O que mais lhe custou foi a falta que sentia dos abraços apertados do puto quando entrava em casa...!

Entretanto, na Califórnia, a Linden Lab mandou fechar em finais de Julho de 2007 todos os Casinos e locais de jogo em Second Life. Dos habituais 45.000 residentes online em hora de ponta, passaram a existir... 45.000 residentes online em hora de ponta!!! Não fosse o sistema de teleport, e o meu avatar abria uma empresa de táxis no metaverse!"

"António Luís, o Toly de Alfama, taxista ia para 27 anos, sentia-se envelhecer. Contava diariamente cada cabelo que mudava de cor, sempre para branco, e quase se sentia capaz de os chamar pelos nomes próprios (aos cabelos); normalmente eram nomes feios, porque esta cena de ver passar os anos todas as manhãs em frente ao espelho redondo da cómoda não tinha piada nenhuma.
A vida de Toly e as suas rotinas ferravam-lhe as costas e os músculos, sem projectos de mudança nem a mínima previsão de uma reviravolta milagrosa.
Entrava e saía do serviço de olhos fechados, mecanicamente, fiel às suas corridas que começavam, como sempre, junto ao Galeto depois dos jantares tardios do pessoal da 'boa vida'. Nunca percebeu como podia a 'boa vida' dos outros ser o sustento da sua 'vida de merda': imaginava mais justiça numa 'vida regalada' alimentada pelos gajos que estoiravam euros noite após noite nos antros da capital. Congeminava, mas por aí se ficava, no invariável reconhecimento das suas limitações intelectuais.
Todas as noites os via sair do Galeto afiambrados a loiras de papo cheio, com aquele ar de gozo de quem adormeceu a mulher e os putos depois da novela e se pirou para ir comprar tabaco à estação de serviço.
Eram todos muito iguais, olhos vidrados pelo primeiros vodkas da noite, camisas entreabertas para deixar adivinhar os fios de ouro que baloiçavam cruzes maciças, poucos bigodes fora de moda e muito gel em cabelos arrepanhados para trás à macho latino.
Toly, oficialmente um comunicador por excelência na sua arte, na verdade quase nem falava com os seus clientes! A entrada no carro era sempre intempestiva, os destinos quase sempre os mesmos: salas de bingo no início da noite, casas de alterne a partir da 1:00, pensões e espeluncas afins depois das 4 da matina.
Quase nunca apanhava os gajos no regresso a casa, porque às 6:00 o corpo pedia cama e deslizava sem hesitações até se aconchegar nas costas da patroa, que começava a despertar para preparar os putos e apanhar o metro às 7:00.
Nessa noite o grupo era igual a tantos outros, não fora a presença de uma morena espampanante de olhos cor de mar escuro ('olha, olha, lentes de contacto como as que vi no Colombo, caraças!' pensou Toly) e com um corpo meticulosamente torneado pelas mãos de um cirurgião plástico qualquer.
O que surpreendeu Toly foi a indumentária da dita: longe daquelas foleirices cheias de brilhantes para arregalar os olhos turvos dos 'otários', a miúda dessa noite na corrida das 23:30 usava um vestido de seda cinza escuro muito comprido, justo q.b. até à cintura com decote generoso, rodado em baixo. Pouco pintada, e muita pinta. O que Toly não entendia era o que fazia ali uma gaja com pinta de cliente dos táxis que param no Ritz!
Nessa noite abriu mais a pestana e os ouvidos, ainda assim meio sintonizado na Antena 1 e nas novidades sobre o seu glorioso. Percebeu que a miúda era de fora, mas não percebeu muito mais: as gajas arranhavam sempre um português esquisito ou inglês de dicionário, e, quando falavam entre elas, era um descalabro de idiomas incompreensíveis.
Fosse de onde fosse, a miúda fazia levantar um morto daqueles enterrados há mais de 20 anos!
O grupo era ruidoso, como era habitual: dois 'pipis' de trinta e tais, duas miúdas de aspecto vulgar... e a misteriosa passageira de olhos profundos que Toly jurava nunca ter visto por aquelas bandas. Falava pouco, mas movia as mãos e os braços ritmada e languidamente sempre que queria explicar qualquer coisa.
Saíram no Conde Redondo, onde a noite misturava as estrelas com cometas e pedregulhos do céu. Toly imaginava-lhes o destino, e fixou aquela imagem em formato de retrovisor até de madrugada. Provavelmente nunca mais a veria, mas essa parte da sua rotina: a incerteza de um reencontro.
O resto da noite foi para esquecer. Pouco trabalho e um regresso antecipado a casa pelo cansaço dos 30 graus da noite de Verão.
Na semana seguinte, e na outra, e na outra a seguir, Toly transportava sempre a misteriosa criatura no início da noite do Galeto para a farra da baixa. A imagem lasciva colada no retrovisor sobrevivia durante o dia, mesmo quando tomava a bica em Alfama. Cada noite tinha um pouco mais de encanto, embora Toly, taxista experiente, tenha sempre resistido à tentação de saber mais sobre a miúda, ou de a esperar mais tarde à porta de um boteco qualquer.
Até um dia! Nessa noite a misteriosa cliente não assomou à porta traseira do costume, nem na noite seguinte, nem em mais nenhuma noite de trabalho!
Toly imaginou mil e uma razões para tal desaparecimento, quase chegou à fala com o Kiko, um bófia amigo que conhecia a noite melhor que o útero da mãe, para saber o que se passava com a deslumbrante cliente.
Só não o fez porque, num domingo merdoso de passeio com a família, viu escarrapachada na porta do quiosque do Manecas a primeira página de um jornal com letras garrafais: 'Câmara de Lisboa aniquila prostituição!' Discretamente leu as letras mais pequenas enquanto a mulher via a TV Guia à borla: 'Presidente consegue negociar a deslocação das actividades nocturnas para a periferia da capital, negociando com os concelhos vizinhos a instalação de boites e bares de alterne em zonas abandonadas'!
Toly teve que ler duas vezes para perceber a manobra, mas percebeu que dali não vinha boa coisa... Nos dias que se seguiram percebeu a jogada: do Galeto nunca mais saíram os amantes da 'boa vida', e os destinos que frequentavam passaram a chamar-se 'hotéis de charme', 'tertúlias de poesia', 'lounges' e outras merdas assim incompreensíveis.
A miragem da personagem misteriosa, substitui-a Toly por suspiros compulsivos que deixavam os amigos, os clientes e a família atónitos: no meio de uma conversa qualquer, Toly... suspirava!

Entretanto, na Califórnia, a Linden Lab mandou fechar em finais de Junho de 2009 todos os locais destinados à prostituição e a actividades relacionadas com o sexo na 'grelha principal' de Second Life, criando um território alternativo para a prática de tais experiências virtuais!"

20.7.08

Como funciona 'A mais velha profissão do... mundo real' num mundo virtual?

O alegada proliferação do cibersexo nos mundos virtuais, justificou a curiosidade de ver como funcionam os 'negócios do sexo' em Second Life.

Deixando a análise da 'simulação das actividades sexuais' de livre vontade e sem fins lucrativos para outras crónicas, tentei compreender a organização que norteia o 'sexo como modelo de negócio' em SL.

Quais os 'serviços' prestados? Quem os presta?
Quais os lucros que daí advêm? Quem lucra?
Como e porquê se 'vende o corpo de um avatar'?
Existem clientes para este tipo de negócio? Porque pagam?
Estamos perante a 'mais velha profissão do... mundo real' num mundo virtual?


Escolhi um dos (muitos) clubes (bem) organizados em Second Life e dedicados à venda de serviços sexuais para entender como a 'coisa' funcionava.
O modelo de negócio é claro, completo e altamente sofisticado. E começa pela orgulhosa exibição numa das paredes junto à entrada de um 'Certificado de Comerciante' passado pelo Collas SL Sonsultancy Group!
Recolhi a respectiva notecard, e fiquei a saber o que era necessário para ser 'comerciante certificado' em SL:

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"Nota Informativa: Seja um Comerciante Certificado Procedimentos:
- Obtenha um formulário de Registo no nosso centro de Informação

- Envie o formulário para Wouter Collas e pague a taxa de registo do Collas SL Merchant Group
(para ser membro)
- Será convidado para uma entrevista pessoal e um agente visitará o seu negócio, loja ou escritório

- Na entrevista e visita terá que provar a originalidade, design e mão-de-obra dos seus produtos (não são aceites produtos ara revenda)

- Passada uma semana, os resultados ser-lhe-ão enviados. Isso significará que obteve o Certificado ou um aviso para melhorar as suas
capacidades e/ou produtos de forma a obter o Certificado mais tarde.
- O Comerciantes Certificados serão associados a uma categoria na nossa Lista Mensal de Especialistas. No Collas Certified Merchant Group a promoção será feita ao nome dos seus produtos.

- Os Grupos de Comerciantes Certificados são os seguintes:

. Grupo A - arquitectos, construtores, designers de texturas

. Grupo B - animações e poses

. Grupo C - cafés, clubes (sexo), discotecas, teatros

. Grupo D - proprietários de centros comerciais
. Grupo E - proprietários de lojas por especialidade (roupa, electrónica, flores e plantas, mobiliário, instrumentos, jóias, partículas e programação, veículos, armas, etc...)

. Grupo F - proprietários de lojas de artigos gratuitos
. Grupo G - sims de países
. Grupo H - proprietários de galerias"

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Confesso que não entendi bem o destaque à exibição do Certificado, mas suponho que deverá funcionar como uma espécie de garantia de que o negócio e a mercadoria seguem normas específicas, segundo parâmetros de qualidade apertados!

Etapa seguinte: Quem manda no clube, e quem pode trabalhar nesse local?
Uma zona de candidatura, permite a recolha de uma notecard com os procedimentos a seguir para poder exercer a profissão:
________________________________________

"EMPREGO ILHA XXX A ilha XXX é um dos clubes de entertenimento para adultos mais antigo em SL. Pretendemos criar uma atmosfera relaxada e amistosa para os nossos clientes, e uma família para o nosso staff e amigos. Por favor guarde algum tempo para ler a nossa regras antes de se candidatar, e sinta-se à vontade para visitar o clube livremente. Esperamos das nossas colaboradoras que sejam física e verbalmente sofisticadas e sedutoras, e que possuam um elevado standard na aparência e emoções dos seus avatares. Para serem candidatas, o vosso avatar deve possuir:
- Uma alta qualidade de 'skin', incluindo genitais e maquilhagem

- Cabelo flexível de alta qualidade
- Vários conjuntos de roupa para dançar e acompanhar outros eventos. Exemplos: roupa de couro, latex, saias,...

- Vários pares de
sapatos

Se não possuir o que se lista acima, por favor considere candidatar-se mais tarde.

Os items referidos e exigidos podem ser adquiridos nas seguintes lojas:

- ...

- ...

- etc"


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Ficou claro o que se pretende de uma colaboradora no clube, e como deve cumprir tais requisitos! Mas serão essas características materiais suficientes para obter um emprego seguro?
Pelos vistos não, a julgar pela notecard seguinte:

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CANDIDATURAS PARA EMPREGO NA ILHA XXX (quando preenchido enviar para ... (hora USA) ou ... (hora Europeia)
- O seu nome:

- Data de nascimento em Second Life:

- Posição a que se candidata (bailarina / escort / ambas):

- Disponibilidade (indique dias e horas):

- 'Time Zone' na RL:

- Experiência profissional prévia em SL:

- Nome de avatar anterior:

- Porque pretende juntar-se à nossa família?:

- Quais as qualidades únicas que pode trazer ao clube xxx?:

(ao apresentar a sua candidatura, aceita reger-se pelas regras e regulamentos da 'ilha' xxx e qualquer omissão ou situação fraudulenta terá como resultado a expulsão imediata)


Anexe algumas fotos suas (pelo menos uma de cara inteira, e uma de corpo inteiro).

Regras de funcionamento:


1. Um título 'xxx' será exibido quando estiver a trabalhar no clube xxx

2. Proibido o sexo no clube. Existem 'skyboxes' para esse efeito

3. Proibida a nudez dos cliente
s no clube
4. Proibida linguagem abusiva com os clientes. Podem parecer novos, mas devem querer voltar.

5. Proibido o 'camping' nos varões. Usem as áreas de 'camping' (sem o título 'xxx')

6. Proibidos os 'trabalhadores por conta própria', mas se está a ler estas regras é porque já é membro do clube xxx. Se vir alguém a 'trabalhar' por conta própria, por favor comunique aos responsáveis ou à proprietária

7. Se estiver 'away' no palco, será 'ejectada'. Situações deste tipo repetidamente darão origem à expulsão
8. Deverá participar o mais possível nos eventos organizados

9. Use sempre a 'jarra de gorjetas' quando dançar

10. O divertimento e a alegria devem estar sempre presentes

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Candidatura aceite, regras de funcionamento bem definidas, só faltava saber quais os princípios que norteavam a existência do clube:

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XXX é um clube em SL bem conhecido pela postura amiga, sexy e profissional das suas colaboradoras. Para manter o nosso sucesso, gostaria que estivessem conscientes de que:
1. Colocamos sempre os interesses do clube em primeiro lugar

2. Resolvemos os nosso problemas abertamente, mas nunca em público

3. Celebramos os nosso sucesso, e apren
demos com os nossos erros
4. Ajudamo-nos umas às outras

5. Respeitamos os nosso clientes

6. Respeitamo-nos mutuamente

7. Procuramos sempre melhorar o clube
8. Zelamos pela reputação do clube

9. Ouvimo-nos umas às outras
10. Além de tudo isto, divertimo-nos muito (...)

A proprietária."

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As coisas começavam a ficar claras: depois de um processo de admissão rigoroso, era necessário investir na aparência do avatar, e começar a trabalhar, pelo menos, dançando no palco e utilizando o pote de gorjetas (mais tarde percebi que 20% das gorjetas revertem para a proprietária, e os restantes 80% debitados de imediato na conta da bailarina).


Na minha curta estadia no clube XXX, cerca de 6 bailarinas preenchiam uma pequena parte de um enorme palco cheio de varões para dança.

Clientes? Poucos em simultâneo, mas com uma rotação assinalável. Cada bailarina tinha, pelo menos, 400 $L nos seus potes de gorjetas.

No papel de cliente, fui amigavelmente recebido por todas as bailarinas, e, rapidamente, choveram IM's (mensagens instantâneas privadas) com conversas mais apelativas, e sugerindo que a minha estadia não se resumisse a ver o espectáculo. À medida que a conversa evoluía, era ciclicamente sugerida a gorjeta, negociada através da omissão de uma peça de roupa, por exemplo... Mais 50 $L e a saia voava, como que por magia! Outros clientes davam gorjetas de 300, 400 ou 500 $L, vá-se lá saber o que se dizia nos IM's em curso...

As conversas terminavam, invariavelmente, nas propostas de sexo explícito. Se a conversa de prolongava muito, a bailarina perdia a paciência e despedia-se em busca de outro novato mais 'mãos largas'. As propostas nunca eram dirigidas apenas a clientes masculinos, mas também a outras clientes com avatares femininos.

As referências à 'vida real' de cada bailarina nunca me foram recusadas: todas tinham uma história coerente, bem montada e plausível. Falei em castelhano durante algum tempo com M., uma pretensa dominicana de Santo Domingo que passava férias em Punta Cana (esta parte custou-me a 'engolir'!), e em cujo perfil exibia, inclusivamente, a sua foto real.
M. considerava-se uma deusa do amor, capaz de levar qualquer cliente 'às nuvens'.
Perguntei-lhe se podíamos ir para um local mais recatado, e que sim, concerteza que sim, havia instalações apropriadas no clube com todas as condições...

Quis saber quanto isso me iria custar: 1.200 $L por 30 min, 2.000 $L por uma hora!
Para tentar adiar a decisão, perguntei-lhe se o 'amor virtual' lhe dava algum prazer... real!
Que sim, claro que sim, mas não acontecia muita vezes... Na verdade foram poucas as vezes, e apenas quando os clientes pagavam 5.000 $L ou mais! Esclarecido fiquei!
Confessei a minha falta de fundos, e prometi pensar melhor no assunto na próxima visita, sem deixar de retribuir todos os piropos lançados durante a conversa, numa lábia estereotipada muito bem estudada.

L. era americana, dizia. Falava inglês e um castelhano fluente! Com ela foi possível manter uma conversa mais demorada, sem que os $L se precipitassem.
Contou-me da sua timidez 'real', da sua 'libertação' ali no clube, e na forma como isso atraía os clientes. Normalmente os mais perversos, capazes de lhe propor as mais incríveis fantasias. Um (suposto) alemão, uma vez, terá gasto mais de 15.000 $L para aceder a uma das salas do clube com L., e manter relações virtuais que tinham obrigatoriamente que envolver sandwiches de queijo! Quando me ri, a americana de proeminentes 'boobs' avisou-me: a maioria dos clientes que ali deixavam grandes quantidades de $L sabiam do que falavam, e sabiam exactamente a fantasia que os levava a ter que carregar a sua conta virtual periodicamente...

Através da consulta dos perfis das bailarinas (ou de uns posters com uma 'notecard' disponível que se pagavam à proprietária), fiz uma média dos custos para recorrer aos serviços especiais:

- 500 $L para 30 minutos de companhia fora do clube + alguns presentes
- 350 $L para 15 minutos de lapdance com nudez parcial
- 1.200 $L para 30 minutos striptease e sexo 'puro' (!)
- 2.000 $L para 60 minutos striptease e sexo 'puro' (!)
- 1.500 $L para 30 minutos de sexo com um casal
- 3.000 $L para 15 minutos de sexo com voz (!)
- 5.000 $L para 30minutos de sexo com voz
- 10.000 $L para 60 minutos de sexo com voz

A estes custos acresciam as gorjetas necessárias para manter a conversação na sala (sem gorjetas as IM's terminavam rapidamente), e, no caso de querer utilizar uma das salas do clube, o aluguer da sala: mais 500 $L.

Feitas as contas, assim muito por alto, num dia de trabalho de 8 horas, uma bailarina / escort pode arrecadar com alguma facilidade uns 20.000 / 30.000 $L, ficando nas mãos da proprietária cerca de 500 $L por bailarina (das gorjetas nos potes).

Quem são, realmente, as profissionais do sexo em SL? Um trabalho muito mais demorado (e caro...) talvez se pudesse aproximar de alguma conclusão. Da minha curta investida no clube XXX resultou a convicção (por pura intuição), de que por detrás de cada bailarina se esconderiam alguns personagens masculinos.
Quem melhor do que um homem para saber exactamente aquilo que eu queria ouvir em cada momento?
É apenas um pressentimento, difícil de confirmar, mas que, no fundo, não interessa para nada!

Fiquei com a ideia de que quem procura regularmente clubes deste tipo e serviços de sexo virtual, só quer mesmo é que lhe contem uma história, o melhor e o mais parecida possível com uma determinada fantasia bem real!

Se as regras impostas no modelo de negócio do sexo em SL parecem replicar a 'profissão mais velha... do mundo real', na prática a 'venda' do 'corpo do avatar' não parece assemelhar-se nem ter as consequências da utilização desesperada do 'corpo real'.

O envolvimento emocional com o avatar, neste tipo de actividade, aparenta ser reduzido para o proprietário do dito 'boneco'. O que conta mesmo são os $L que caem paulatinamente na conta. E isso, ao fim de um mês, de um ano, é dinheiro 'real' livre de impostos!

Bem mais 'real' será o consumidor de tais serviços, que paga quantias quase exorbitantes para preencher uma triste solidão com bonequinhos animados que dão corpo a fantasias reprimidas.

O resto, como dizia L., "It's just business, sweety...!"

7.11.07

O sexo dos anjos... e outros sexos!

Discutir o sexo dos anjos está completamente out!
Participar em brainstormings está definitivamente in!
Discutir o sexo dos avatares é muito cool!

Serão os avatares os anjos contemporâneos?
Aparentemente, existem diferenças óbvias de representação: os anjos são figuras andróginas e confusas; os avatares são personagens de sexualidade (digitalmente) assumida!

Em Second Life, o trabalho hercúleo (e dispendioso) de definição de um avatar que se preze, passa quase sempre pela afirmação do género: seres que aperfeiçoam a sua masculinidade ou feminilidade, ou seres que evidenciam a ambiguidade da sua condição andrógina.
Quando adquirimos uma 'forma' e uma 'pele' em Second Life à nossa escolha, não raras vezes temos ofertas surpreendentes: um pénis em descanso e um pénis erecto, uma zona púbica depilada, uma vagina com piercings,...!
É a promessa de uma vida sexual activa no metaverse, pois claro! A garantia de que a nudez do nosso avatar não nos envergonha: a erecção ou a sensualidade à distância e um click!
Para os avatares masculinos, o click é o 'Viagra virtual'; para os femininos, o 'silicone virtual' ou a 'frigidez impossível'!

Nunca vi um avatar dizer para outro: "Humm, ricos pixeis tens tu aí!"
Já os piropos reais e vulgares abundam...
O avatar alheio é cobiçado como se cobiça a mulher ou o marido do próximo na 'vida real'.
A capacidade de imaginação dos residentes é espantosa. O tempo e o dinheiro gastos na simulação de uma vida sexual de fantasia são exorbitantes.
Uma visita passageira a um qualquer local destinado a contactos sexuais em Second Life (não necessariamente 'negócios de sexo'), parece indiciar claramente que a experiência digital é gratificante para muitos residentes. Por cada orgasmo simulado, por cada orgia espontânea, existem (pelo menos duas) pessoas que digitam (digital, de dedo) no teclado do seu PC a compensação ou o complemento da sua vida sexual 'real'.
E parecem felizes, a avaliar pela quantidade de pixeis que constroem expressões lânguidas e provocantes. O caso não é para menos: qualquer fantasia sexual (qualquer significa mesmo qualquer) fica à distância de um 'teleporte', viagem muito curta para quem, na 'vida real', nunca teria a possibilidade de se ver em semelhantes preparos.

Que se saiba, nem todos os residentes em Second Life possuem uma vida sexual activa!
Mas, que se saiba, qualquer um pode, através do seu avatar, contruí-la pixel a pixel sem constrangimentos. São opções pessoais, sem regras nem DST's...

Para os mais conservadores, esta prosa pode parecer doentia!
Para os menos conservadores, apenas tentei explicar porque discutir o sexo dos anjos está completamente out, e porque discutir o sexo dos avatares é muito cool!

1.8.07

Top Ten Popular Places

Uma breve comparação dos Top Ten Popular Places em Second Life, publicado pela Linden Lab in-world, nos dias 22 de Abril e 01 de Agosto de 2007 (número de residentes medido segundo o tráfego e o tempo dispendido em cada "local", mature region incluída):

22 Abril
01. Sexy Land - 130.572
02. Charms Fun Center - 128.996
03. Phat Cat's Jazzy Blue Lounge - 127.139
04. Kong World - 120.279
05. A Virtual Festival - 118.875
06. Neva Naughty - 116.923
07. Reff Island Gaming and Mall - 115.114
08. Elements at Godess of Love3 - 106.985
09. ParrotHead Games - 105.336
10. Nude Beach, Mall and Free Sex - 103.671

01 Agosto
01. Sexy Beach- 134.277
02. Deutsche Insel Altstadt (shops, camping,...)- 126.568
03. Money Island- 120.332
04. Sexy Land - 114.834
05. Nude Beach- 111.537
06. Hippiepay (camping) - 108.699
07. Neva Naughty- 106.878
08. Phat Cat's Romantic Ballroom- 105.452
09. Aplfelland (camping) - 104.595
10. Kat Mall Shop- 103.863

Entre as duas amostras, os locais de jogo foram interditos.
No entanto, prevalece uma maioria de "ilhas" relacionadas com sexo, romance (!) e camping (o acto de abancar num sítio durante horas para ganhar uns troquitos).
Interessante que, apesar de o número de registos ter quase duplicado neste período, o número de residentes em cada espaço não diferir muito. Esta constatação parece estar relacionada com o limite do número de avatares em simultâneo em cada "ilha".
Sexy Land, Nude Beach e Neva Naughty são os únicos reincidentes!
Second Life tem esta vantagem: fazem-se estatísticas facilmente, e os números por aí ficam. Infelizmente não traz Manual para saber interpretá-los, o que abre espaço para as mais variadas especulações.
A RL tem esta desvantagem: nunca vi publicadas estatísticas de frequência de locais ou actividades relacionadas com a "líbido" (até pelo carácter privado dos mesmos) ainda que a publicação de artigos, programas televisivos, livros, cada vez mais se aproxime destes temas...