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14.9.08

A importância de uma expressão 'virtual'


"Uma das vantagens de Second Life é que não posso ambicionar que as minhas expressões, gestos ou silêncios estejam plenos de significados."

A ideia pertence a Chestnut Rau, que no seu blog confessa: "Comecei por dizer que sentia a falta da linguagem corporal em Second Life, mas, agora que penso nisso, talvez a falta de elementos não verbais seja um coisa boa..."

Seguindo o raciocínio de Chestnut Rau, é fácil chegar à dúvida que formula: serão fáceis de descodificar os elementos de comunicação não-verbal em Second Life? Um gesto marcado de repulsa ou de ódio é perceptível? E um olhar sedutor ou de desconforto?

Como refere Wagner James Au, "Recentemente, tem-se falado muito sobre o desenvolvimento de teconlogias video para gravar e traduzir expressões 'reais' para um avatar...", mas as questões colocadas por Chestnut fazem pensar (uma vez mais) sobre as vantagens de transportar para mundos virtuais réplicas de espaços, comportamentos e, agora, elementos de comunicação não-verbal...

A eficácia de uma troca cúmplice de olhares (tão gasta na 'realidade') nunca terá uma correspondência virtual do mesmo tipo. Provavelmente, essa cumplicidade passará para uma janela de texto, ou por uma flor disparada que nem seta ao coração do(a) interlocutor(a).

O que Chestnut começa a equacionar é a descoberta de uma meta-linguagem específica e desligada dos paradigmas da 'realidade'...

11.7.08

'Second Life está morto?' Outra vez?

Uma vez mais (a pergunta é cíclica) começa a proliferar a grande dúvida pelo ciberespaço: 'Second Life está morto?'

A esta grande dúvida, não é alheio, desta vez, o lançamento de Lively e a campanha agressiva da Google.

Também Robert Bloomfield, no seu excelente blog Metanomics, achou pertinente voltar a lançar a questão, com base no post de Heidi Ballinger, que refere uma notícia de um jornal dinamarquês que Bloomfield fez o favor de traduzir via Google.

O argumento apresentado parece ser o de que 'Second Life não serve para nada...'.
Arrisco acrescentar que 'Second Life não serve para nada... parecido com o que conhecemos!'

A razão de ser desta dúvida existencial permanente (ou cíclica) é muito provavelmente a dificuldade em definir Second Life, levando essa incapacidade a uma irremediável comparação com outros tipos de 'ambientes': redes sociais, videojogos, ambientes de realidade virtual,...!

E, daí, as respostas começam a nascer, óbvias:
- como rede social, SL é ineficaz e complexo
- como videojogo, SL não tem a mínima piada (nem sequer tem objectivos)
- como ambiente de realidade virtual, SL é pobre e 'pesado' tecnicamente
- etc,...

O que é sucessiva e propositadamente (digo eu) esquecido, é que Second Life é, antes de qualquer uma destas coisas mais ou menos conhecidas, um poderoso meio de comunicação e de representação espacial.

Se entendido como meio, os paradigmas que caracterizam todos os outros produtos/ambientes não funcionam!
E nunca irão funcionar, porque os paradigmas comunicacionais e espaciais em Second Life têm que ser (e estão a ser a cada dia que passa) (re)inventados, que é uma coisa que dá um trabalhão...!

Mas vale a pena, digo eu mais uma vez, o esforço da invenção!
Por isso publicamente reafirmo que os projectos e a utilização de Second Life se deve afastar cada vez mais das réplicas da(s) realidade(s) analógica e digital.

Se assim não fôr, a persistente sentença de morte vai continuar a ser publicada ciclicamente, de cada vez que alguém entenda comparar Second Life com alguma coisa que já existe...

E, com esta e com as outras, Second Life vai já na sua terceira ou quarta morte!

4.7.08

A evolução do telemóvel, isto é, das identidades

O impressionante vídeo, produzido pela e2save, sobre a evolução dos telemóveis entre 1985 e 2008, deixa-nos invariavelmente com um sorriso nos lábios (a gargalhada será exagerada)!

Em primeira instância, tomamos consciência das evoluções tecnológicas, e talvez pensemos: 'Do que estes gajos, os das tecnologias, são capazes!'

Num segundo momento, começamos a reflectir sobre o significado do objecto nos últimos anos (e aqui foram apenas 13!), e aí talvez pensemos: 'O telemóvel é uma extensão de nós próprios ao serviço da necessidade compulsiva de comunicar e de socializar!'

Num terceiro esforço, olhamos finalmente para o umbigo, e talvez pensemos: 'As nossas múltiplas identidades, cada vez mais sociais, fizeram com que estes gajos, os da tecnologias, tenham revolucionado, em pouco mais de uma década, o mundo da comunicação. Mas, afinal, fomos nós os revolucionários!'

Num derradeiro esforço, semicerramos os olhos virados para o futuro, e pensamos em coisas quase intangíveis, em nano-conceitos, em mundos virtuais, em ausência de fronteiras físicas, em ubiquidade, e aí talvez pensemos: 'Mais uma década, e as maternidades implantarão chips nos recém-nascidos e terão à porta o dístico powered by Nokia!'


27.1.08

Um mundo comunicativamente plano


Enrique Dans tem andado em viagem!
Por essa razão, escreveu uma interessante crónica para a LibertadDigital.es, que, pelo seu interesse e frescura de conceitos, me apetece reproduzir aqui, fazendo uma 'ponte' com Second Life.
De 'um mundo comunicativamente plano' fala Dans:

"As duas últimas semanas passei-as terras distantes, entre a China, Coreia e Japão. E, apesar de não ser a primeira vez que o faço, esta foi claramente a ocasião em que mais notei: fui, mas sem deixar de estar aqui.

Tentemos definir e enumerar as diferentes ferramentas ao meu alcance e o seu grau de maturidade: o popular Skype permite-me, em qualquer momento, aparecer no monitor de qualquer dos meus contactos, saber se estes estão ligados ou não – e vice-versa, que eles também saibam de mim – e falar com eles de uma maneira completamente natural, visualizando expressões e gestos. Nada de novo, mas muito diferente quando estamos a falar de um grau de maturidade de vários anos: hoje em dia ao meu Skype, além de ser praticamente público e notório, têm acesso, além da minha família e amigos, qualquer dos meus alunos actuais e ex-alunos desde há vários anos. Não vou aventurar-me com um número, mas sei que deu para, além de falar com a minha família todos os dias e sistematicamente mais de uma vez por dia, para saudações ocasionais e conversas com vários outros amigos, e até para uma entrevista. Para todas estas actividades, o facto de eu estar a vários milhares de quilómetros de distância e a sete ou oito horas de diferença, foi completamente indiferente.
Na verdade, em alguns casos, a utilização de Skype tornou-se até muito curiosa: em vez de manter uma conversa, a minha mulher e eu limitava-mo-nos a deixar a janela do Skype aberta enquanto fazíamos qualquer outra coisa no computador, como se estivéssemos a trabalhar cada um diante do outro, e simplesmente cruzando comentários, frases ou observações ocasionais por qualquer motivo. Uma autêntica 'janela aberta para minha casa', desde o outro lado do mundo, mas com uma sensação de proximidade total. E com um custo praticamente nulo, dado que as infraestruturas necessárias se amortizam entre uma enorme variedade de tarefas mais.

Outra ferramenta habitual que esteve sempre presente durante estas duas semanas, foi o Gtalk. As mensagens instantâneas do Google, disponíveis praticamente para qualquer pessoa que conheça o meu e-mail, permite trocas rápidas de comunicação textual, e é enormemente conveniente para coordenar assuntos de trabalho, enviar um link, ou deixar uma nota aberta no monitor da outra pessoa para que a veja quando voltar a sentar-se em frente ao computador, com muito mais agilidade do que a que proporciona um correio electrónico. De novo, custo nulo, disponibilidade total, abertura a um número enorme de pessoas. Resultado? Acrescentemos à equação correios electrónicos, páginas web, comentários no blog, etc., e durante estas duas semanas pude trabalhar com pessoas e desenvolver certos assuntos como se, na realidade, não tivesse viajado.

Mas o clímax da sensação de 'mundo plano' apareceu com a oportunidade que tive de participar num vídeo para uma empresa do sector tecnológico: a empresa e eu tínhamos negociado a minha participação para uma data em que eu deveria estar em Madrid, depois de eu ter descartado a possibilidade de viajar até à sua sede em Londres para gravar. Uma troca de datas fez com que no dia da gravação, na qual participavam outras pessoas, eu estivesse em Shanghai. Face à minha chamada a desculpar-me face ao sucedido, a resposta imediata, e completamente natural: "E então? Não há problema, em Shanghai também temos uma sede". A experiência foi impressionante: estar num edifício no centro da cidade, para me encontrar com duas pessoas que estavam em Londres, e que eu via em cada momento em tamanho natural, num monitor de alta resolução, com som perfeitamente direccional, diante de mim do outro lado da mesa. Uma sensação de telepresença completamente futurista, nada comparável ao que temos por aqui: a presença praticamente real, holográfica, na qual uma pessoa verdadeiramente "aparece" diante dos olhos dos outros independentemente da sua localização real.

Durante duas semanas experimentei muito mais do que em qualquer outra das minhas viagens a sensação de um 'mundo plano', de 'estar longe sem ter saído', com enormes vantagens de todo o tipo e apenas alguns inconvenientes: combinado com o jetlag e com sete ou oito horas de diferença horária, é uma das melhores maneiras que conheço de acabar dormindo entre pouco e nada. Mas, independentemente deste tipo de coisas, que invariavelmente precisam de um certo ajuste, tive a sensação de ter posto em prática tudo isso que contamos que a tecnologia pode fazer por nós, e além disso não sou – obviamente – o único a fazê-lo. Nem sequer posso pensar em sentir-me exclusivo por isso: milhares de pessoas em todo o mundo utilizam estas e outras tecnologias diariamente, começando pelos próprios alunos dos cursos que estava a dar.

Há poucos anos, as minhas possibilidades para me manter em contacto com a minha família ou o meu trabalho passavam por comunicação por voz, uma experiência incómoda, incompleta e insultantemente onerosa. Hoje, os mesmos que me ofereciam essas comunicações caras vêm como apago o meu telemóvel durante duas semanas para não pagar o caríssimo roaming, e, sem dúvida, passo a estar mais próximo em vez de mais isolado. Interessante, não? Em poucos anos, o mundo converteu-se num lugar comunicativamente plano, e, em menos ainda, passámos de uma utilização excepcional por alguns inovadores para um uso quase generalizado a determinados níveis. Pouco surpreendente? De facto. E precisamente por isso, impressionante."

O relato de Enrique Dans (como sempre apaixonado), não é de facto nada surpreendente. Impressionante é sim a sua capacidade de síntese e de formulação de ideias claras. Dans fala do 'espaço de fluxos' na sociedade em rede de Castells duma forma quase 'ingénua'. Pela constatação diária da proximidade e da inexistência de barreiras físicas e geográficas, o conceito de um mundo comunicativamente plano que apresenta não é mais do que a consciencialização absoluta do fluxo em detrimento do lugar.

Em Second Life, tal como noutras redes dentro 'da rede', as experiências não diferem muito das do relato de Enrique Dans. A convergências de plataformas e as formas de comunicação síncrona e assíncrona dentro de SL e entre SL e outras soluções (como Skype ou Facebook), fazem-nos, por vezes e quando conseguimos 'parar' para pensar, perceber essa sensação de proximidade exponencial onde o 'mundo redondo' e as suas barreiras apenas existem quando as queremos criar! Também em Second Life o mundo é comunicativamente plano!

9.12.07

Linden Lab cria ligações telefónicas

A ligação entre telemóveis e Second Life não é novidade.

A novidade desta vez vem da própria Linden Lab com o seu projecto de implementação de uma tecnologia que permitirá aos residentes receberem chamadas do mundo real, e até utilizarem voice-mail!

Segundo a Linden Lab, a partir do primeiro trimestre de 2008 os residentes de Second Life poderão obter números de telefone 'reais', para onde qualquer pessoa poderá ligar para os contactar. Esta nova tecnologia será implementada em conjunto com o já existente sistema de voz. Segundo Joe Miller, vice-presidente da Linden Lab, este serviço telefónico 'oficial' será compatível com serviços de voice-mail, através dos quais qualquer utilizador poderá ouvir mensagens pré-gravadas, tanto a partir do mundo real (e também via e-mail) como originárias do próprio Second Life.

Segundo a Vivox, que desenvolveu o actual sistema de voz em Second Life desde Agosto deste ano, "alguns avatares 'amam' ter a possibilidade de conversar entre si. Contudo, outros sentem que a voz pode comprometer seu direito ao anonimato. O nosso sistema é, de qualquer forma, um sucesso absoluto, e estamos empenhados em colaborar com a Linden Lab na viabilização deste novo sistema 'Voip', que está a ser incorporado em Second Life. Estamos realmente animados com isso".

Falta ainda saber se o serviço será gratuito ou pago!

(adaptado do post de Mundo Linden)

A montante da decisão da Linden Lab ao desenvolver um sistema de comunicação telefónica da RL para SL, reside a importância da utilização da voz para os residentes de Second Life. Apesar das declarações oficiais da Vivox, uma boa parte da população residente em SL não utiliza a voz. A aproximação a sistemas de comunicação síncrona baseados na realidade, nem sempre parece ser a opção mais desejada pelos residentes. A 'segunda vida' mais uma vez se aproxima da 'primeira' com este tipo de iniciativas... e nem sempre esse é o caminho mais apetecido!

31.8.07

Second Life em Congresso no Minho


Entre 5 e 7 de Setembro vai decorrer na Universidade do Minho, e organizado pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, o 5º Congresso da SOPCOM, sob o tema "Comunicação e Cidadania".
O dia 5 será reservado ao Workshop Novos Media 07, e, em particular, a Second Life (organização de Nelson Zagalo da U.Minho). Serão abordados temas como:
- Potencialidades do Novo Media
Carlos Santos, Pedro Almeida e Luís Pedro, Universidade de Aveiro

- Second Life nos Media
Paulo Frias, Universidade do Porto

- Criação e gestão de propriedade no Second Life
Luís Sequeira, Beta Technologies

- Plataforma para Investigação Aplicada
Leonel Morgado, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

- Desenvolvimento em Ambientes SL
Silvana Moreira, BetaTechnologies, e Universidade de Aveiro