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4.3.08

Obra de DanCoyote em favor da Esclerose Múltipla

A minha amiga lorechip Kurka, mentora do C.E.M. (Centro de Esclerose Múltipla), um centro espanhol cuja história já abordei aqui e aqui, enviou-me a informação:

O C.E.M., com o patrocínio da NMC (New Media Consortium), apresenta no Domingo, 09 de Março, à 1.00 pm SL Time, o espectáculo ZeroG SkyDancers de DanCoyote Antonelli.

As entradas devem ser adquiridas contactando inworld a Lorechip Kurka, e custam 300 Linden Dólares, uma vez que a receita reverterá a favor do C.E.M.

Se ainda não viram o espectáculo do Dan, aqui fica um pequeno clip... Mas, se puderem, assistam ao vivo no Domingo porque vale a pena... e ajudam uma boa causa!

2.9.07

Esclerose Múltipla em Second Life II


Depois do post de ontem sobre Esclerose Múltipla em Second Life, e sobre a conversa com Maggie Runo, consegui o prometido encontro com lorechip Kurka, a mentora do espaço C.E.M. (Centro de Esclerose Múltipla).
Como prometido, a lore, como é conhecida, apareceu, na companhia de Juanjo Runo.
Dentro de um traje e com adereços ambiguamente informais e formais, o seu corpo bem tratado rodeava um sorriso leve de lábios bem desenhados.
"Sentamo-nos?", perguntou! Eu não costumo sentar-me muitas vezes, mas anui sem problemas.
Já sabia ao que vinha, já me tinha feito apresentar, já lhe tinha falado do blog e do meu interesse na sua actividade in-world.
Confirmei a sua concordância em publicar a nossa conversa muito pessoal, e as fotos que mais tarde iria tirar. Que sim, sem problema nenhum.
lorechip Kurka é, desde Abril deste ano, o avatar de uma asturiana de 30 anos, com Esclerose Múltipla diagnosticada aos 13, e com as primeiras manifestações da doença aos 22. Habitualmente, desloca-se na RL com a ajuda de uma muleta, "e por vezes com duas, mas mais raramente, só durante as crises...", detalhou.
Colabora na RL com a Asociación Asturiana de Esclerosis Multiple, cuja página na Net se encontra referenciada no espaço que idealizou e realizou em Second Life.
"Entrei em Second Life por curiosidade, para ver como era, e tive desde logo a ideia de criar um Centro de Esclerose Múltipla para explicar em que consiste esta doença e como funciona, porque as pessoas têm ideias pré-concebidas sobre ela."
Eu queria saber mais sobre a sua situação física na vida real: "Estou numa fase inicial da doença bastante extensa, com várias placas instaladas no cérebro.", ia esclarecendo, "A entrada em Second Life mudou um pouco a minha RL. O melhor de tudo é poder estar aqui! Poder mover-me sem dificuldade. Adoro fazer coisas que na RL não posso fazer, como dançar, conhecer gente, falar diferentes línguas... Enquanto aqui estou esqueço um pouco a E.M., mas quando "regresso" à RL é muito difícil conseguir esquecê-la."
E o grupo? Quem participa?
"Neste momento somos 84, mas a maioria não são portadores da doença, são os "sensibilizados". Em Second Life não há muitos portadores de Esclerose Múltipla, talvez porque nem sequer temos recursos económicos para entrar na Net! A doença manifesta-se em idades jovens, em pessoas ainda dependentes economicamente. O ideal seria ter um apoio institucional que não existe! Eu é que vou mantendo os custos deste espaço!"
Mostrou-me alguns artigos promocionais (uma pulseira, que eu já tinha comprado ontem, uma t-shirt, que comprei mesmo sendo para senhora e que consegui ajustar ao meu corpo mais volumoso, um cabelo loiro, esse sim feminino e que não comprei), e ofereceu-se para me mostrar o resto do edifício.
Seguimos em passadas largas por rampas de ligação aos dois andares superiores.
No 2º andar, uma sala ampla inundada por cartazes com informação sobre a Esclerose Múltipla: sintomatologia da doença, explicações sobre a sua origem, conselhos sobre a vida social e sexual para os portadores, ... Esclarecido, segui a lore até à sala de relaxamento no 1º andar, onde gostaria de fazer as fotos.
Uma extensa família de almofadas de seda repousava no chão. Em cada uma delas, os avatares podiam assumir uma posição de meditação! Sentei-me numa ao acaso. A lore noutra.
Tirei calmamente as fotos, escolhendo os ângulos que me aprouveram, enquanto lorechip Kurka, provavelmente, meditava, sempre com aquele sorriso nos lábios desenhados.
Despedimo-nos com cortesia, agradecendo mutuamente aquela conversa no C.E.M., depois de eu a informar da direcção do blog para ver este post, na esperança de contribuir de alguma forma para o seu trabalho de sensibilização. lore prometeu-me que iria ler e perceber o português!

Saí teleportando-me para a ilha da Universidade do Porto, onde fiquei uns minutos a pensar no sorriso tranquilo e desenhado de lorechip Kurka, o avatar de uma mulher das Astúrias.
"O melhor de tudo é poder estar aqui!", tinha dito...

1.9.07

Esclerose Múltipla em Second Life I


Foi por acaso que ontem conheci Maggie Runo!
Numa sessão de esclarecimento sobre o e-justice, resolvi consultar o perfil da Maggie, e o grupo Esclerosis Multiple a que a Maggie pertence chamou-me a atenção.
Resolvi perguntar-lhe do que se tratava, e fiquei a saber:
O grupo possui um espaço, que é gerido por lorechip Kurka, também da direcção da Associação Espanhola de Esclerose Múltipla na RL. Fomos ao local, e conheci a lorechip, com quem irei falar em breve.
Hoje tive uma conversa interessante com a Maggie!
"Por curiosidade, um dia pesquisei a palavra esclerose e encontrei este grupo e um outro inglês em Second Life." contou-me. "Aderi a este grupo, mas não sei se a maioria são portadores da doença ou não. Costumo falar com a lore e com um amigo que não tem a doença."
E eu curioso sobre a utilidade e objectivos do grupo em Second Life: ": Sabes, falar às vezes é um pouco difícil, muita gente vem buscar aqui algo diferente da RL." confessou-me, "Eu só tinha falado com um amigo sobre isto, até encontrar o grupo. Aqui procuras um pouco a ilusão, algo que não tens na RL!"
Qual ilusão?, quis eu saber. "Repara, por exemplo a lore, não sei, porque não lhe perguntei, mas provavelmente afectou-lhe a parte motora, e aqui, ela dança, anda, corre... Eu estive uma semana cega de um olho e digo-te que não é agradável. Perdi 35% de visão no olho direito, mas tenho o esquerdo!"
Estava eu a começar a perceber a ideia, "A doença revelou-se quando eu tinha 34 anos. Aqui em Second Life sinto a velocidade com que mudo de humor. Aqui consigo estar mais estável, menos irritadiça. A irritação tem a ver com o stress e com a maneira como reages a ele. Eu tenho um trabalho muito stressante na RL, nada indicado para quem tem Esclerose Múltipla. Aqui, consigo relaxar e descomprimir ;)."
Engoli em seco, enquanto a Maggie, lisboeta de gema, continuava com o discurso escorreito, confessando que quando começava a falar... não parava!
"Sabes o que é pena? Que não haja mais gente nas sessões de esclarecimento! A lore fez uma, mas não estava assim tanta gente..."

A conversa já ia longa, e a Maggie aceitou tirar umas fotos antes de se despedir. As que se encontram acima, com um ar tranquilo e nada "irritadiço" (como ela referia).

Visitei o local com minúcia, recolhi a vasta informação disponível sobre esta doença degenerativa, e fiquei com a certeza que em Second Life muita gente se reúne em torno de grupos de interesses comuns.
Sem vestígios de cadeiras de rodas ou outros artefactos que ajudam a superar incapacidades na RL, fiquei com uma enorme vontade de falar com a lorechip para perceber bem de que forma o metaverse transforma a qualidade da "vida real" da tanta gente que se vê, de um dia para o outro, invadido por doenças terríveis.

Não consegui falar hoje com ela. Estava ocupada! Numa festa de aniversário de um amigo, a dançar!
Dança muito, lorechip, até que os pixeis te levem para bem longe da realidade, pelo menos por uma noite!