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21.11.08

Sobre a 'morte' de Google Lively


A recente notícia da Google sobre a morte anunciada de Lively, teve certamente consequências diversas nos 'habitués' dos mundos virtuais e das redes sociais:

- sorrisos cínicos dos residentes em 'mundos' concorrentes
- lágrimas de crocodilo de donos de 'ilhas' em Lively, emigrantes de redes sociais 2D
- sentidos pêsames de quem, de facto, acredita(va) no projecto da Google
- etc, etc, etc...

À boa maneira 'googliana', o anúncio foi seco e curto, e sem direito a apelo nem recurso, na lógica 'top-to-down' da jovem (!) empresa.

As razões, as mais legítimas e sempre muito lógicas e aritméticas:

"Google sempre suportou este tipo de experiências porque acreditamos que é a melhor forma de criar produtos que mudem a vida das pessoas. MAS sempre estamos cientes de que quando corremos estes riscos, nem todas as apostas se pagam a si próprias.
É por isso que (...) decidimos fechar Lively até ao final do ano. Foi uma decisão difícil, mas queremos assegurar que as prioridades dos nossos recursos estão centradas no negócio do motor de busca, da publicidade e das aplicações..."


Ou, por outras palavras, esta coisa dos mundos virtuais ou lá o que isso é 'não é definitivamente a nossa praia': dá pouco lucro, montes de trabalho e uma carrada de chatices associadas.

Houve até quem, como Chris Matyszczyk no cnet, tenha encontrado uma razão lógica para o anúncio a prazo da morte de Lively: o receio da Google em contribuir para o aumento dos divórcios que decorrem da utilização de 'mundos virtuais' :) Isto porque, por coincidência, a notícia foi divulgada na mesma semana das mediáticas histórias das desavenças amorosas virtuais/reais/virtuais de que todos ouviram falar e que ninguém parece querer entender.

Se calhar o Chris não anda longe da verdade: desenvolver (ou ser proprietário) de um 'ambiente virtual' com conteúdos exclusivamente criados pelos seus 'residentes', é um risco do 'caraças'...

E a Google, empresa séria e ciente das suas prioridades, não está para embarcar nessas aventuras 'à la East Coast' porque já tem um nome (ou $) a preservar e a respeitar...

9.7.08

O surpreendente Lively, ou porque é que a Google vale o que vale




Há dias assim, carregados de informação e de emoções fortes!

No dia da tal 'interoperabilidade' sobre a qual escrevi ontem (anunciada pela Linden Lab e pela IBM) a Google resolveu 'estragar a festa' com o lançamento da versão beta de Lively, o seu mais recente 'social virtual world'.

Entre as mais variadas reacções que li aos montes durante o dia de hoje, descobri 'residentes' de Second Life em pânico com a hipotética concorrência, arautos da desgraça prevendo o fim do metaverse 'Lindeniano', optimistas crónicos que riram do 'mundo virtual' da Google comparando-o com outros produtos menores, especialistas que odeiam a Google e tudo que com ela se relacione a ridicularizar Lively, estudiosos incrédulos com o mesmo Lively... etc, etc...!!!

Como é óbvio e razoável, não resisti a ir ver e experimentar a novidade da Google, e, confesso que pasmei! Não com as performances do produto, nem com a qualidade dos gráficos, nem sequer com a forma de interagir...

O que me levou, então, a achar que Lively é surpreendente e que a Google é terrível e cinicamente brilhante? Apenas o conceito de Lively, ou seja, a mesma razão que me levou a admirar a Linden Lab com SL, ou o Steve Jobs com o Macintosh mais o iPod mais o iPhone...

A Google percebeu (bem) uma série de pequenas/grandes questões que caracterizam a utilização das redes online de hoje:

- a importância da componente social na comunicação cibermediada
- a eleição da tão falada Geração Y (ou M) como target
- a importância inclusiva de uma aplicação web-based
- a importância de construir um mundo gratuito (as compras virão a seguir...)
- a rentabilização de todos os produtos da empresa já existentes (google earth, maps, groups, mail,...)
- a interoperabilidade entre estes 'sub-sistemas googlianos'
- a 'portabilidade' de um mundo virtual, garantindo a almejada noção de ubiquidade (um mundo web-based corre na maioria dos PC's, em telemóveis, e que com umas simples linhas de html se 'alojam' em qualquer site, blog,...)

Aquilo com que a Google não se importou, ou aquilo que ainda não se vê na versão beta:

- o nome do produto (Lively está longe de ser brilhante, e deviam ter aprendido com a LL)
- criar um mundo virtual organicamente muito semelhante a salas públicas de chat
- explorar o fotorealismo, adoptando um grafismo comprometido (tipo cartoon)
- definir o 'espaço', não geo-referenciado, e confundir salas com ilhas...

Muito mais será visível depois de explorar Lively, mas, até agora, a ideia é fascinante. Nem o aspecto rudimentar dos gráficos me fazem esquecer a facilidade com que criei o 'espaço da Universidade do Porto' em Lively à borla, e o coloquei no meu blog (post anterior) para que quem tenha uma conta Google possa entrar directamente nesse espaço sem sair do browser.

Simplesmente fantástico!

Não sei como a história vai acabar (ou continuar), mas prevejo que os 'residentes sérios' dos 'mundo virtuais sérios' se possam deixar seduzir pelo pragmatismo da Google.
Aliás... como sempre!

PS: Como vêm, o PalUP Ling já lá anda pelo Lively...