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28.2.08

A 'linguagem nativa' de Amanda

Amanda Baggs tem 27 anos, é autista e não fala.
No clip 'In my Language', descreve claramente o que lhe passa pela cabeça quando age de forma 'bizarra'. Com a voz sintetizada por um software específico, Amanda explica que tocar, provar e cheirar lhe permite manter uma 'conversação constante' com a envolvente. Estas formas de estímulos não-verbais constituem a sua 'linguagem nativa', explica Amanda, e não são melhores nem piores do que a linguagem falada. Entende ainda que a sua incapacidade para falar é vista como uma deficiência, enquanto que a incapacidade das outras pessoas para aprender a sua linguagem é vista como natural e aceitável.
A história de Amanda foi contada pela Wired Magazine, no excelente artigo 'The truth about autism: Scientists reconsider what they Think they know'.
O clip, dedicado a todas as outras pessoas consideradas 'não-pessoas', dá que pensar, e remete para uma reflexão profunda sobre 'linguagem nativas', reflexão essa aplicável à comunicação em mundos virtuais. Cá vai:


1.8.07

Sobre Jesuítas em Second Life

A notícia já é conhecida há alguns dias.

O El País, citando a agência EFE no Vaticano, noticiou no dia 26 Julho:
"A Companhia de Jesus propôs hoje utilizar a plataforma virtual Second Life para difundir o Evangelho, segundo um artigo difundido pela sua publicação Civiltà Cattolica e que foi bem recebido pelo Vaticano. O presidente do Pontifício Conselho de Comunicações Sociais, o arcebispo Claudio Maria Celli, declarou-se entusiasta perante o desafio lançado pelos jesuítas. Os jesuítas analisam as vantagens e inconvenientes desse mundo virtual e questionam que se há "ciberespaço para Deus", "a terra digital" pode converter-se, "à sua maneira, numa terra de missões". Celli qualificou a proposta como "positiva e interessante", pois a Igreja defende que "a Rede é um mundo enorme, que falta avaliar e entender, e onde indiscutivelmente quer estar". Na conhecida comunidade (de Second Life) encontram-se pessoas com "necessidades de carácter espiritual" e, por isso mesmo, "talvez" não seja de desprezar essa procura."
A este propósito, Lore Sjöberg manifestou hoje na Wired a sua opinião sobre este assunto, levantando algumas questões pertinentes:

"Como se fala de coisas espirituais com um esquilo gigante com seis seios?
Se fôr um missionário virtual num mundo virtual falando com "pessoas virtuais", irá tentar converter a "pessoa virtual" ou a real que se encontra por detrás dela? (...) Antes de mais, tanto quanto sei, no Céu nem sequer existe banda larga. Será difícil tentar que uma senhora-robot meia despida comungue, uma vez que as senhoras-robot meias despidas não entram nos planos de Deus. Obviamente terão que encontrar a "pessoa" por detrás do teclado, o pecador por detrás da representação. (...) Depois de tentar chegar a uma conclusão, acho que a maioria dos pecados apenas são pecados se, de facto, se cometerem. (...) No entanto, alguns pecados parecem ser pecado mesmo que apenas intenção. Muitos deles têm a ver com sexo. (...) Em vez de tentar perceber quem necessita de uma conversão pelas suas acções, talvez seja melhor perguntar-lhes. Mas depois terão que descobrir se lhes estão a dizer a verdade. Existem inúmeras pessoas na Net que lhes dirão que são jovens Católicas, mas muito poucas são Católicas, ou jovens, ou ambos. (...) E se encontrarem "alguém" com o aspecto de uma mulher meia despida, se com ela tiverem uma longa conversa sobre os planos de Deus, e se voltarem passado um mês e a virem vestida de freira, bem... é possível que tenham conseguido obter com a senhora tal efeito que a faça aderir de imediato a um convento que permita acesso à Net às noviças, mas estou mais convencido que apenas a convenceram a mudar de fetiches."
Os jesuítas não são pioneiros na investida religiosa em Second Life. Brevemente escreverei sobre outras confissões emergentes no metaverse. Mas as opiniões e sugestões do artigo da Wired, deverão, pelo menos, fazer com que Claudio Maria Celli e os jesuítas pensem duas vezes na sua cruzada virtual. Mesmo fechando os olhos à expressão "segunda vida" e aos seus possíveis significados, parece-me que a conversão religiosa em Second Life é tarefa hercúlea!

Bem... a não ser que os tais 8 milhões de registos, 45 mil online no máximo nos dias que correm, sejam todos avatares de crentes "reais"! Bolas, nunca me tinha ocorrido! Pois, mas nesse caso a evangelização não faria sentido, não era?

26.7.07

Opinion Shakers

Aproveitando o tema do artigo de David Ramel da revista Computerworld, apraz-me confirmar que vivemos na era dos Opinion Shakers!

Tentando avaliar o que dizem os entendidos sobre Second Life, a revista faz uma análise comparada das opiniões de dois idóneos Opinion Makers: Wired e Newsweek. Para todos os entusiastas de Second Life e para todos os seus mais ferozes críticos, aqui ficam algumas conclusões,
Sobre Participação:
Newsweek: "É já uma da manhã, e o bar 'Dublin' está superlotado!"
Wired: "Uma das coisas que nunca se vê em Second Life é uma multidão genuína - sobretudo porque a tecnologia não o permite."
Sobre Número de Residentes:
Newsweek: "Durante o último ano, o número de membros aumentou para mais de 8 milhões - 2 milhões apenas nos últimos dois meses."
Wired: "Os defensores de Second Life defendem um aumento meteórico, com o número de residentes, ou avatares, criados, a ultrapassar os 7 milhões em Junho. (...) De acordo com a Linden Lab, o número de avatares criado por indivíduos diferentes foi de cerca de 4 milhões. Destes, apenas 1 milhão terá feito login no último mês (...) e apenas um terço terá entrado na última semana."
Sobre Diversão:
Newsweek: "O poder de Second Life reside na componente lúdica que acrescenta à actividade humana. É um meio de socialização muito poderoso - dá às pessoas uma oportunidade para se exprimirem, explorarem e experimentarem com uma identidade, aliviarem as suas frustrações, revelarem os seus alter egos."
Wired: "Depois há a questão sobre o que fazem as pessoas depois de entrarem (em Second Life). Depois de passar várias horas a vaguear tentando aprender como funciona Second Life, não há muito mais para fazer."
Sobre Marketing :
Newsweek: "Mais de 45 multinacionais, como a American Apparel, IBM, General Motors e Dell começam a usar este meio (Second Life) para servir os clientes, vender e fazer o seu marketing."
Wired: "As empresas dizem, 'É apenas uma experiência' - mas o que estão de facto a aprender?' pergunta Tobaccowala. 'Basicamente, aprendem como criar um avatar e como passear em Second Life.' O que não é mau, se fôr apenas essa a intenção. Mas que não esperem vender muitas latas de Coca Cola."
Sobre Tecnologia
Newsweek: "(Second Life) Foi criado com base em software que funciona em múltiplos servidores - uma grelha que pode facilmente crescer para acomodar uma enorme comunidade."
Wired: "Mesmo as ilhas mais populares nunca estão cheias, porque cada processador dos servidores da Linden Lab só consegue gerir um máximo de 70 avatares de cada vez; mais do que isso e começa-se a "patinar", alguns avatares desaparecem, ou a ilha simplesmente bloqueia."

Bom... em que ficamos, caros Opinion Makers?

Decidam-se lá depressa para nos informarem qual é o nosso futuro, o que podemos esperar da "mágica tecnologia", ou então... demitam-se do cargo e deixem o caminho livre para nós, os Opinion Shakers, ávidos de simulações, de experimentação, de participação e de liberdade, porque.. é de nós que dependem as grandes decisões!
"We love this game! Shake it now, sugar!"