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9.11.07

A história repete-se...

MPK20 é um espaço de trabalho virtual desenvolvido e divulgado pela Sun Microsystems.
É apresentado como um ambiente de elevado potencial, nomeadamente para actividades lectivas, em que a interacção entre os avatares dos membros das equipas introduz eficácia e rentabilidade nos processos de comunicação.
Provavelmente o clip que se segue faz-vos lembrar algo...
As paredes inundadas de páginas Web com as quais os avatares podem interagir, fazem lembrar histórias antigas.
A transição do analógico para o digital levantou as mesmíssimas questões: conteúdos em suporte papel que se transferiam, tal e qual, para suportes digitais, para janelas de browser no écrã. Foram necessários alguns anos para entender que a comunicação na Web contruiu novos paradigmas, novas possibilidades de interacção (o 'mediacídio' de que fala Rosenthal Alves).
As páginas Web da Sun plasmadas em paredes de um mundo virtual proprietário, levantam conduzem a uma problemática semelhante: os ambientes vituais e colaborativos online estão a escrever a sua história própria, a construir novos paradigmas de comunicação.
A transposição dos conteúdos da Web para 'paredes' de salas de trabalho virtuais soa-me a desilusão. Contra a perspectiva evolucionista uma vez mais me insurjo: faça-se revolução, inventem-se novos códigos e novas formas de interagir (agora com 'objectos 3D'), porque o cenário mudou...


1.10.07

Webcídio? (R)evolução?

E se a emergência e crescimento meteórico de Second Life, ou de outros ambientes virtuais, significasse o fim da Web, tal qual a conhecemos hoje? Um Webcídio para breve?

Rosental Alves, ciberjornalista famoso e professor na Universidade do Texas em Austin, foi um dos convidados da Universidade do Minho no 5º Congresso da SOPCOM. Rosental falou do “seu” conceito de mediacídio, afastando-se de uma perspectiva evolucionista das novas tecnologias, e contrapondo o carácter revolucionário do jornalismo na Web, só comparável à revolução de Gutenberg.
Para o ciberjornalista de origem brasileira, os novos media na Internet não significam evolução tecnológica, antes revolução e mudança radical de paradigmas comunicacionais.

Na mesma linha de pensamento (revolução versus evolução), o discurso de Rosental fez-me pensar no fenómeno Second Life não como uma curiosidade voyeurista, mas como algo mais profundo que se está a transformar numa mudança radical de paradigmas na construção de uma enorme rede.
Nem Philip Rosedale e a Linden Lab imaginariam como as coisas se poderiam passar, nem talvez imaginassem estar na eminência de abrir o código de Second Life permitindo a construção de outras grids por parte dos colossos da informática.
A tentativa de caracterizar e perceber Second Life vai-se fazendo através da comparação com realidade virtual, com videojogos e com outros ambientes sociais e colaborativos online: a ideia de realidade virtual, predominantemente tecnológica, não se ajusta à compreensão de Second Life; o afastamento do conceito de jogo parece cada vez mais claro; as diferenças em relação a ambientes sociais online 2D são também cada vez mais evidentes.
À custa do claim “your world, your imagination”, a Linden Lab está a fazer com que nove milhões e meio de curiosos construam, bit a bit, uma poderosa rede de conteúdos que se ligam entre si, recorrendo a uma representação 3D ainda incipiente, mas carregada de significados e com uma nova semântica. As propostas de “novas vidas”, de aprendizagem colectiva, de cidadania, proliferam no metaverse idealizado por Stephenson.
À natural necessidade de contabilizar acessos em Second Life, já não se ajusta o somatório de número de cliques ou de entradas numa determinada página/espaço. O tempo parece começar a vingar como a unidade de análise privilegiada. O espaço é fluído, plasmado na superfície do ecrã, onde os personagens já não “navegam” mas “voam” e “teletransportam-se” de cenário para cenário.
As “receitas” de Jacob Nielsen sobre usabilidade e ergonomia já não se aplicam. Voar na rede 3D de Second Life, tem características radicalmente diversas da navegação na Web. Nem sequer se sabe ainda o que significa usabilidade e ergonomia em Second Life. A história está por escrever.
A recém-discutida possibilidade de considerar Second Life e ambientes afins como a Web do futuro (Web 2.0, 3.0, 4.0…?), significa o surgimento da perspectiva evolucionista do fenómeno.
O grande desafio que se nos coloca, enquanto simples participantes de uma mega-rede, é descobrir que nomes vamos dar aos processos, que formas vamos descobrir para optimizar a deambulação pelo mundo do novo conhecimento. Se os media tradicionais, o tecido empresarial e os utilizadores comuns devem perceber as particularidades dos novos media, leia-se Web, também cada um deles deve começar a pensar seriamente em imaginar-se a produzir conteúdos para novos ambientes tridimensionais.
Como Rosental, prefiro falar de revolução! Uma espécie de Webcídio, o momento em que a Web (como a conhecemos) morre! Paz à sua alma!

19.9.07