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16.12.09

Operação 'Second Life' da PJ!

Quando li pela primeira vez o título 'Second Life' para uma operação recém terminada pela Polícia Judiciária, cheguei ingenuamente a pensar que a PJ se iria estabelecer formalmente (porque informalmente já lá deverá andar) no mundo virtual da Linden Lab!

Afinal, a PJ continua a dar largas à sua criatividade quando se trata de dar nomes às suas investigações (Face Oculta, Apito Dourado,...).

Desta vez, o nome escolhido para "uma operação no âmbito da luta contra a pornografia de menores na Internet" foi mesmo uma... marca comercial: Second Life!

Se bem se recordam, também o cinema não resistiu ao apelo da metáfora (em inglês), o que deve ter multiplicado os acessos à página do filme na Web!

Há poucos minutos, uma pesquisa no Google em páginas portuguesas de 'Second Life' remetia para uma lista encabeçada por ligações relacionadas com o mundo virtual. Mas uma segunda pesquisa com 'Second Life + pedofilia' já colocava a operação da PJ na quinta posição, numa associação semântica pouco feliz!

Provavelmente nunca chegará a haver nenhuma reacção de quem detém os direitos da marca, mas seria curioso ver o que aconteceria, por exemplo, se uma investigação sobre fraude fiscal se chamasse 'Operação Microsoft', ou se a uma outra sobre roubo de viaturas se desse o nome de 'Operação Mercedes'...!

Foi isto que a PJ divulgou na sua página oficial:

"Operação "Second Life" - Combate à Pedofilia na net


A Polícia Judiciária, através da Directoria de Lisboa e Vale do Tejo, em colaboração com outros seus Departamentos, realizou uma operação no âmbito da luta contra a pornografia de menores na Internet, na qual foram executadas simultaneamente, 31 buscas em residências e estabelecimentos.

A actuação policial envolveu elevado número de investigadores e desenrolou-se em todo o território nacional.

As investigações permitiram identificar um grupo de indivíduos que se vinham dedicando à partilha de ficheiros com conteúdos relativos a abuso sexual de menores, fotografias e filmes de pornografia de menores, utilizando para o efeito o programa P2P emule.

Nesta operação foram constituídos 13 arguidos, procedeu-se à apreensão de vários computadores, numerosos discos ópticos e material informático diverso, que suportavam o armazenamento desses conteúdos, prosseguindo a investigação em vários inquéritos com vista à sua responsabilização criminal.

As investigações decorriam em Portugal há cerca de um ano e meio, durante o qual se procedeu à recolha de informação que suportasse indícios da prática do tipo de crime, nomeadamente os dados de tráfego que suportavam as comunicações.

A operação foi realizada no contexto da cooperação internacional relativa à prevenção e investigação deste tipo de criminalidade.

16 de Dezembro de 2009"

3.11.07

O reino da podridão 'abre delegação' em Second Life

Serve este artigo para falar de coisas más em Second Life!
O autor do artigo podia, até hoje, parecer naif; podia até pensar-se que queria parecer naif; ou podia especular-se se afinal não seria um funcionário da Linden Lab 'evangelizando' os portugueses para um 'admirável mundo novo'!
Hoje podem dissipar-se algumas dúvidas, porque este artigo serve para falar de 'podridão' em Second Life!

A abertura das delegações da Reuters, da CNN, da Bershka, da IBM, da Armani,... entre muitas outras, ajudaram a encher a 'bolha' mediática que virou a atenção dos consumidores para SL.
Mas a 'delegação que abriu' agora em Second Life foi a de um reino podre: o reino da pedofilia! Não teve data oficial anunciada, mas o trabalho de investigação de Jason Farrell para a Sky News (bem) elaborado em Second Life, mais concretamente na ilha Wonderland, retrata com rigor uma das faces mais negras no 'mundo virtual' da Linden Lab.
Questões jurídicas e penais à parte (nem sequer se sabe ao certo quem são as vítimas!), o trabalho de Farrell vem confirmar a mimetização de espaços e comportamentos da 'vida real' em Second Life.
Na peça da Sky News, o vice-presidente da Linden Lab defende-se: não compete à sua empresa acompanhar ou controlar as actividades ilícitas ou escabrosas em Second Life. Tal como em qualquer outra plataforma de comunicação síncrona ou assíncrona online, competirá às autoridades judiciais a averiguação de delitos mais ou menos graves, e, ainda por cima, delimitados por quadros legais da RL muito heterogéneos.

O autor deste artigo não visitou a Wonderland! À vontade de conhecer os contornos da 'podridão', sobrepôs-se a incapacidade previsível para identificar os intervenientes: seriam os avatares das crianças que oferecem serviços sexuais controlados por crianças 'reais'? Ou seriam esses avatares manipulados por jornalistas, investigadores ou agentes policiais em busca de 'delitos virtuais'?
A dúvida mata, à nascença, a tentativa de perceber o fenómeno.
Esta é uma história que não acaba aqui, porque ainda está por escrever!
Em Second Life ou noutro qualquer ambiente social online, o que interessa verdadeiramente entender é até que ponto a mimesis da realidade 'ajuda' a configurar comportamentos na própria 'vida real'.
Sem dramatismos, o autor deste artigo limita-se a noticiar algo resignado:
"O reino da podridão 'abre delegação' em Second Life!"