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15.12.08

'Home'...less!


A Sony lançou, por fim, a versão beta de 'Home', o tão propalado 'ambiente' online para consolas PlayStation 3 que pretende rivalizar com Second Life.

Antes de ter oportunidade de experimentar o 'novo' produto da Sony para PS3, fica apenas um simples raciocínio que me faz prevêr enormes dificuldades em comparar 'Home' com 'Second Life' (tanto o produto, quanto o mercado-alvo, os objectivos, etc...):

> a utilização de um produto com objectivos semelhantes em PC's e TV's (consolas) é um engano, como o provaram as apostas (falhadas) na i-TV: o PC é 'coisa' pessoal, a TV é 'coisa' social

> os 'mundos virtuais' do tipo Second Life são predominantemente utilizados por indivíduos que, no momento da utilização, estão sózinhos, isto é, que não partilham a máquina (PC) com outras pessoas (familiares, amigos, ...)

> a vivência, mais ou menos 'imersiva', em 'mundos virtuais' do tipo Second Life pressupõe uma atitude 'de trabalho' muito aproximada fisicamente do monitor, que exige concentração e não compatível com ambientes dispersores

> os 'jogos' para consolas são, potencialmente, pensados para 'a família', uma vez que se ligam ao dispositivo mais 'social' de uma habitação: a TV

> os 'jogos' para consolas pressupõem uma atitude relaxada, distanciada do monitor, e que convive com o que se passa à volta do 'jogador' numa sala de estar, de jantar ou num quarto

> Home é 'coisa pública' (apesar do nome), Second Life é 'coisa privada'...

Veremos o que 'Home' nos reserva, prevendo novidades qualitativas nos gráficos e dificuldades na velocidade de ligação.

23.9.07

Mundos Virtuais na Sala de Estar?

A propósito do marketing da Sony sobre Home, o "mundo virtual" que propõe para PS3, veio-me à memória o debate de há cerca de 5 anos sobre a Televisão Interactiva!
Nesses tempos, a iTV era acérrimamente defendida como uma proposta de convergência de tecnologias (televisão, telecomunicações, informática). A mesma convergência defendida pela indústria informática que se sentia ameaçada, a mesma convergência resgatada pelas empresas de telecomunicações que se sentiam ameaçadas. O projecto iTV, enquanto plataforma de convergência, nunca chegou a vingar, perdendo terreno e mais terreno justamente para a informática e para as telecomunicações.
O que parece mais interessante agora "repescar" do aceso debate de 2002, são as mais-valias apresentadas pelos defensores da iTV: ser possível utilizar a TV, um objecto do grupo familiar, para comunicar com telefones móveis ou para navegar na Net. O marketing da iTV falhou! E uma das principais razões desse falhanço terá sido precisamente a incompreensão de que a navegação na Net, por exemplo, era (e continua a ser) um exercício individual, exercido pelo utilizador numa posição concentrada de trabalho e a pouca distância do monitor de um PC.
Pelas mesmas razões, telecomunicações e informática conseguiram fazer vingar a referida convergência, ao propôr como base objectos pessoais (telemóveis e PC's). A atitude relaxada da sala de estar, onde a família se reúne e conversa de telecomando na mão ameçando zapping, não sugeriam, há cerca de cinco anos, que esse fosse o cenário privilegiado para a "navegação" intimista.

Contextualizada a problemática, assistimos hoje à proposta da Sony com Home utilizando os mesmos argumentos: um mundo virtual partilhado pela família (!), onde impera a mesma atitude relaxada em frente a uma consola ligada à TV. Famílias mais ou menos numerosas, sentadas em sofás a uma distância razoável do écrã, com as interrupções e ruídos inerentes a este tipo de ambiente de sala de estar!
O argumento que pretende constituir vantagem, é o de que, por exemplo em Second Life, a actividade no mundo virtual é solitária. Eu chamar-lhe-ia intimista, pessoal e intransmissível. A "família" invocada pela Sony está no écrã, em Second Life, o que permite uma imersão concentrada e a comunicação com outros personagens com os quais se descobrem afinidades.
Em Second Life estamos "na mesma sala" virtual. Por vezes a sala está cheia, outras vazia...
Não tenho nada contra o ambiente familiar lá de casa, mas, sinceramente, não me imagino num mundo virtual na sala de estar!