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30.11.07

Cinema de 'ilustradores'

Na pegada do post de ontem (e 'ajudado' por Rogério Pereira), volto ao discurso polémico de Peter Greenaway sobre o cinema, e à conversa que teve em São Paulo com Philippe Barcinski.
Para o multifacetado artista britânico, a história do cinema está saturada de texto, porque os realizadores não têm cultura visual, e não passam de 'ilustradores' (figura com a qual não se identifica).
A morte anunciada (por Greenaway) do cinema, parece agora regredir pela possibilidade da experiência digital, capaz de transformar a 'sétima arte' em discurso visual...
Fica um excerto da entrevista de Greenaway:

29.11.07

Greenaway e a morte do Cinema

Conta o ABC que "Peter Greenaway assegurou em Bilbau que o cinema convencional morreu."!

Segundo a jornalista M. Luisa Franco, "(...) Greenaway considera que o cinema convencional, que narra histórias, às quais chama 'contos para adultos', está morto e pertence ao passado, porque o que interessa às novas gerações é outro tipo de comunicação audiovisual, que lhes chega via internet ou através do telemóvel."

Greenaway esteve em Bilbau para apresentar a sua criação audiovisual 'Tulse Luper: a life in suitcases'.

Sempre polémico, "o cineasta britânico, que acaba de estrear no Festival de Veneza o filme 'Nightwaching' (sobre a obra de Rembrandt), afirma que as pessoas já não vão ao cinema porque, na sua opinião, 'é absurdo que nos sentemos numa sala às escuras com desconhecidos, olhando todos para um sítio fixo'. (Greenaway) acredita que o futuro está nos monitores dos telemóveis, nos quais pode ver-se um filme convencional, ou na internet, através de ambientes como Second Life. Afirmou ainda que pretende fazer um filme em Second Life, que crê que interessaria aos cidadãos, porque os espectadores poderiam participar, algo que é possível graças às novas tecnologias."

A abertura da visão de Greenaway, realizador e pintor, sobre o cinema, reflecte as suas permanentes reflexões sobre a transversalidade das diversas formas de expressão artística.
A referência à tecnologia e às novas formas de consumir o audiovisual, deixa pistas importantes para pensar no papel dos mundos virtuais nessa mudança de paradigmas.

E, certamente, Greenaway já se apercebeu como 'manobra' a câmara em SL ;)